Outro
dia, assistindo ao mais recente filme
concorrente ao Oscar de 2025, que é no
caso O Aprendiz(The
Apprentice,EUA,Canadá,Irlanda, Dinamarca,
2024) após ser incluído no catálogo da Amazon Prime Video.
Confesso
ter ficado impressionado com o tipo de abordagem a respeito dele que é um cara
muito polêmico.
A
primeira impressão que ele pode tender a causar a um expectador desavisado e
que tenha caído de paraquedas é quanto ao fato da obra tentar trazer uma mensagem de cunho político
panfletário tendencioso com os ideais de extrema-direita de intolerância social.
Toda
cinebiografia que trata de protagonizar figuras politicas tender a gerar esse
desconforto em tentar criar uma idealização romantizada de sua jornada heroica
com ares de endeusamento exageradamente mitificado como se ele fosse destinado
para tal coisa.
O
que por incrível que pareça, no filme O
Aprendiz em nenhum momento procura criar essa atmosfera de endeusamento
sobre Trump.
Essa cinebiografia que conta com a direção do
iraniano-dinamarquês Ali Abbasi, com roteiro de Gabriel Sherman, trata-se de uma
produção independente contando com a colaboração da Dinamarca, Canadá e Irlanda,
procura abordar e explorar um pouco da
fase de Trump, muito bem defendido pelo ator Sebastian Stan, em sua ascensão na carreira de empresário do
ramo imobiliário em Nova York entre os anos 1970 a 1980, seguindo os passos de
seu pai Fred Trump(1905-1999) vivido magistralmente no filme por Martin Donovan,
um empresário renomado nesse ramo com a empresa The Trump Organization.
Em
nenhum momento a obra tenta ser panfletária em fazer apologia aos seus ideais
autoritários, do mesmo jeito que procura não ser tendenciosa em criar um
endeusamento de mostrar como ocorreu sua
carreira na política até chegar a comandar a Casa Branca como o atual Chefe de Estado.
Mesmo
porque ela apenas se preocupa em nos apresentar um recorte de sua vida
apresentado a ascensão da sua carreira no ramo imobiliário.
Onde
a gente pode bem conhecer como um bom estudo de personagem que pode explicar sua postura autoritária e desprezível. É uma obra sensacional em explorar um pouco do
perfil repugnante que ele já demonstrava ter.
Em
especial mostrando a pessoa que foi seu grande mentor Roy Cohn(1927-1986),
muito bem defendido no filme por Jeremy Strong, um polêmico advogado que esteve
envolvido na acusação do Caso do Casal
Rosenberg em 1953 e que no filme ele esmiuça bem o nível da importância de como
suas orientações levaram Trump a se
ascenderem no ramo empresarial do mercado imobiliário de Nova York naquele
período dos anos 1970 a 1980, quando a Big Apple estava vivendo um caos urbano
e sua ascensão ocorreu de uma forma muito desonesta, pisando em muita gente
para conseguir os seus objetivos gananciosos dos seus empreendimentos.
Podendo-se
dizer que o filme mostrou bem como ele foi um bom aprendiz do título que não por acaso, também
foi o título de um programa de reality show de competição de empreendedorismo
que ele comandaria por volta dos anos 2000, cujo formato foi importado para
diversos países e aqui no Brasil se tornou popular sendo apresentado pelo
empresário Roberto Justus, que eu acredito quem tem minha idade, com certeza
deve ter tido o primeiro contato com o nome Trump por meio desse programa.
Ao
mesmo tempo que também pincela um
retrato do quão escroto ele vivia em sua vida afetiva. Como nas cenas que
mostram ele reunido com sua família, onde ouve umas poucas e boas de seu pai, um sujeito autoritário e abusivo,
que desprezava seu irmão mais velho Fred Trump Junior(1938-1981), por ter
escolhido seguir a carreira de piloto da TWA em vez de comandar os negócios da família
como Donald escolheu, que para ele era a
mesma coisa que viver como um pobretão e que seria a ponto de ser visto como um
pária na família. Mostrando como ele herdou esse caráter tóxico do seu pai. O Fred
Jr. é muito bem representado por Charlie Carrick que nos seus últimos anos de
vida, após perder o emprego caiu em
desgraça no consumo de álcool que o levou a morte.
Ou
mesmo quando ele vivia as turras com sua mãe Mary Anne MacLeod(1912-2000), uma
imigrante escocesa, grande ironia sendo ele um sujeito xenófobo que é, no filme
é muito
bem representada por Catherine McNally.
Também
mostra a maneira como Trump era um
marido abusivo e muito violento com sua primeira esposa, a ex-modelo tcheca
Ivana Zelníčková(1949-2022), ou seja, ele foi casado com uma imigrante, um contraste se assim posso descrever com sua postura de lei anti-imigratória em
território americano.
Foi
com essa que passou adotar o sobrenome de casada assinando como Ivana Trump,
vivida no filme pela atriz búlgara Maria Bakalova que Trump teve três filhos
formados por: Donald Trump Jr., Ivanka Trump e Eric Trump.
Como
o recorte vai até o momento do falecimento de Roy Cohn, não é mostrado Donald
se divorciando de Ivana que ocorreu em
1990, como consequência da pulada de cerca de Trump ao começar a ter um caso
com a ex-modelo e atrix Maria Maples com quem se divorciaria em 1999 e teve uma
filha Tiffany e atualmente se encontra casado com a ex-modelo eslovena Melânia
Knauss, que contradição ele viver casado
com uma imigrante e ser xenófobo com quem tem um filho Barrow.
Acontecimentos
esses que ocorreram no momento onde Trump estava com sua carreira de empreendedor
imobiliário declinando devido ao
fracasso dos empreendimentos do Trump Tower, por exemplo. E ele só foi se reerguer
graças a televisão ao apresentar o reality show imobiliário intitulado
ironicamente de O Aprendiz.
Em
um balanço geral, O Aprendiz é um bom filme cine biográfico para se conhecer
a trajetória de um sujeito tão controverso quanto Trump, em nenhum momento ele tenta
ser chapa branca e nem procura ser panfletário mesmo retratando a trajetória de um sujeito de discurso
fascista da típica extrema direita autoritária americana.
Ele
procura sim é retratar como se deu sua trajetória de ascensão do ramo do
mercado imobiliário na Nova York dos anos 1970/80 que começou com seu pai, onde
com a mentoria de uma figura controversa como o Roy Cohn, ele conquistou de uma
forma que não merecia, pisando e enganando muita gente.
Onde
conhecemos também um pouco do seu perfil canalha de
sujeito de caráter egocêntrico, narcisista, frio, calculista e megalomaníaco e
era extremamente tóxico dentro de casa com sua esposa. Justamente por conta é
que recomendo assistirem ao filme.
Os
brilhantes desempenhos de Sebastian Stan
protagonizando Trump e de Jeremy Strong como Roy Cohn, renderam duas indicações
na recente edição do Oscar 2025, nas categorias de melhor ator e melhor ator
coadjuvante. Que perderam ambas sendo derrotados por Adrien Brody que ganhou na
categoria de melhor ator por O Brutalista e Kieran Culkin que venceu
como melhor ator coadjuvante por A Verdadeira Dor.
Ainda
assim recomendo assistirem.