sábado, 15 de março de 2025

O APRENDIZ-A JORNADA DE DONALD TRUMP COMO EMPREENDEDOR IMOBILÁRIO

 

Outro dia, assistindo ao mais recente  filme concorrente ao Oscar  de 2025, que é no caso   O Aprendiz(The Apprentice,EUA,Canadá,Irlanda, Dinamarca,  2024) após ser incluído no catálogo da Amazon Prime Video.





Confesso ter ficado impressionado com o tipo de abordagem a respeito dele que é um cara muito polêmico.

A primeira impressão que ele pode tender a causar a um expectador desavisado e que tenha caído de paraquedas é quanto ao fato da obra  tentar trazer uma mensagem de cunho político panfletário tendencioso com os ideais de extrema-direita de intolerância  social.




Toda cinebiografia que trata de protagonizar figuras politicas tender a gerar esse desconforto em tentar criar uma idealização romantizada de sua jornada heroica com ares de endeusamento exageradamente mitificado como se ele fosse destinado para tal coisa.

O que por incrível que pareça, no filme  O Aprendiz em nenhum momento procura criar essa atmosfera de endeusamento sobre Trump.




 Essa cinebiografia que conta com a direção do iraniano-dinamarquês Ali Abbasi, com roteiro de Gabriel Sherman, trata-se de uma produção independente contando com a colaboração da Dinamarca, Canadá e Irlanda, procura abordar e  explorar um pouco da fase de Trump, muito bem defendido pelo ator Sebastian Stan,  em sua ascensão na carreira de empresário do ramo imobiliário em Nova York entre os anos 1970 a 1980, seguindo os passos de seu pai Fred Trump(1905-1999) vivido magistralmente no filme por Martin Donovan, um empresário renomado nesse ramo com a empresa The Trump Organization.






Em nenhum momento a obra tenta ser panfletária em fazer apologia aos seus ideais autoritários, do mesmo jeito que procura não ser tendenciosa em criar um endeusamento de  mostrar como ocorreu sua carreira na política até chegar a comandar a Casa Branca como o atual  Chefe de Estado.

Mesmo porque ela apenas se preocupa em nos apresentar um recorte de sua vida apresentado a ascensão da sua carreira no ramo imobiliário.




Onde a gente pode bem conhecer como um bom estudo de personagem que pode explicar  sua postura autoritária e desprezível. É  uma obra sensacional em explorar um pouco do perfil repugnante que ele já demonstrava ter.  





Em especial mostrando a pessoa que foi seu grande mentor Roy Cohn(1927-1986), muito bem defendido no filme por Jeremy Strong, um polêmico advogado que esteve envolvido na acusação do   Caso do Casal Rosenberg em 1953 e que no filme ele esmiuça bem o nível da importância de como suas orientações levaram Trump  a se ascenderem no ramo empresarial do mercado imobiliário de Nova York naquele período dos anos 1970 a 1980, quando a Big Apple estava vivendo um caos urbano e sua ascensão ocorreu de uma forma muito desonesta, pisando em muita gente para conseguir os seus objetivos gananciosos dos seus empreendimentos. 




Podendo-se dizer que o filme mostrou bem como ele foi um bom  aprendiz do título que não por acaso, também foi o título de um programa de reality show de competição de empreendedorismo que ele comandaria por volta dos anos 2000, cujo formato foi importado para diversos países e aqui no Brasil se tornou popular sendo apresentado pelo empresário Roberto Justus, que eu acredito quem tem minha idade, com certeza deve ter tido o primeiro contato com o nome Trump por meio desse programa.




Ao mesmo tempo que também pincela  um retrato do quão escroto ele vivia em sua vida afetiva. Como nas cenas que mostram ele reunido com sua família, onde ouve umas poucas e boas  de seu pai, um sujeito autoritário e abusivo, que desprezava seu irmão mais velho Fred Trump Junior(1938-1981), por ter escolhido seguir a carreira de piloto da TWA em vez de comandar os negócios da família como Donald escolheu, que para ele  era a mesma coisa que viver como um pobretão e que seria a ponto de ser visto como um pária na família. Mostrando como ele herdou esse caráter tóxico do seu pai.  O  Fred Jr. é muito bem representado por Charlie Carrick que nos seus últimos anos de vida, após perder o emprego  caiu em desgraça no consumo de álcool que o levou a morte.




Ou mesmo quando ele vivia as turras com sua mãe Mary Anne MacLeod(1912-2000), uma imigrante escocesa, grande ironia sendo ele um sujeito xenófobo que é, no filme é    muito bem representada por Catherine McNally.

Também mostra a maneira como Trump  era um marido abusivo e muito violento com sua primeira esposa, a ex-modelo tcheca Ivana Zelníčková(1949-2022), ou seja, ele foi casado com uma imigrante, um  contraste se assim posso descrever  com sua postura de lei anti-imigratória em território americano.




Foi com essa que passou adotar o sobrenome de casada assinando como Ivana Trump, vivida no filme pela atriz búlgara Maria Bakalova que Trump teve três filhos formados por: Donald Trump Jr., Ivanka Trump e Eric Trump.

Como o recorte vai até o momento do falecimento de Roy Cohn, não é mostrado Donald se divorciando de  Ivana que ocorreu em 1990, como consequência da pulada de cerca de Trump ao começar a ter um caso com a ex-modelo e atrix Maria Maples com quem se divorciaria em 1999 e teve uma filha Tiffany e atualmente se encontra casado com a ex-modelo eslovena Melânia Knauss, que contradição  ele viver casado com uma imigrante e ser xenófobo com quem  tem um filho Barrow.




Acontecimentos esses que ocorreram no momento onde Trump estava com sua carreira de empreendedor imobiliário  declinando devido ao fracasso dos empreendimentos do Trump Tower, por exemplo. E ele só foi se reerguer graças a televisão ao apresentar o reality show imobiliário intitulado ironicamente de O Aprendiz.

Em um balanço geral, O Aprendiz é um bom filme cine biográfico para se conhecer a trajetória de um sujeito tão controverso quanto Trump, em nenhum momento ele tenta ser chapa branca e nem procura ser  panfletário mesmo retratando  a trajetória de um sujeito de discurso fascista da típica extrema direita autoritária americana.




Ele procura sim é retratar como se deu sua trajetória de ascensão do ramo do mercado imobiliário na Nova York dos anos 1970/80 que começou com seu pai, onde com a mentoria de uma figura controversa como o Roy Cohn, ele conquistou de uma forma que não merecia, pisando e enganando muita gente.






Onde  conhecemos  também um pouco do seu perfil canalha de sujeito de caráter egocêntrico, narcisista, frio, calculista e megalomaníaco e era extremamente tóxico dentro de casa com sua esposa. Justamente por conta é que recomendo assistirem ao filme.

Os brilhantes  desempenhos de Sebastian Stan protagonizando Trump e de Jeremy Strong como Roy Cohn, renderam duas indicações na recente edição do Oscar 2025, nas categorias de melhor ator e melhor ator coadjuvante. Que perderam ambas sendo derrotados por Adrien Brody que ganhou na categoria de melhor ator por O Brutalista e Kieran Culkin que venceu como melhor ator coadjuvante por A Verdadeira Dor.

Ainda assim recomendo assistirem.