segunda-feira, 12 de outubro de 2026

O ANIME DE STREET FIGHTER

                 O meu primeiro contato com Street Figther foi assistindo ao anime que o SBT passava nas manhãs de sábado antes de saber da existência dessa franquia de jogos da Capcom.




Esse anime foi concebido pouco tempo depois de fazerem uma versão live action constrangedora estrelada pelo astro da ação Jean-Claude VanDame.




A produção desse anime carrega uma história curiosa, principalmente no que diz respeito a maneira como ele foi distribuído aqui no Brasil, que veio como alternativa a outra versão animada de Street Fighter que era a versão que o SBT estava de olho, mas que devido a algumas dificuldades burocráticas acabou que esse anime foi chegando primeiro e ao mesmo tempo que estava em produção no Japão. É meio confuso, mas vou tentar explicar qual foi o motivo e analisar o contexto.

Começo com o seguinte questionamento: Quem nunca se perguntou por quê o título era Street Fighter II se não  tivemos conhecimento de uma temporada que antecede a essa história?




A explicação é:  Porquê o anime foi inspirado no jogo da Capcom intitulado de Street Fighter II: The World Warrior(Japão, 1991) que trata-se de uma sequência do primeiro jogo  surgido em 1987 criado por Hiroshi Matsumoto, Takashi Nishiyama e Yoshiki Okamoto.

Nesse anime cujo roteiro é creditado a seis roteiristas formados por: Takashi Nishiyama, Mary Claypool, Masumi Hiranagi, Nayouki Sakai, Sô Toyama e Kenya Sawada e teve a direção de Takuya Satô e Gisaburô Sugii.

Esse mesmo que havia dirigido um ano antes o desenho animado intitulado de Street Fighter II-The Movie(Japão, 1994) produzida pela mesma produtora Group TAC e também contou com a participação de alguns dos roteiristas que trabalharam na equipe criativa da série animada lançada no ano seguinte.




Esse filme animado que originou a série animada que também é referenciada como Street Fighter II: Victory(Japão, 1995) sei que é confuso esse monte de informação, mas vamos lá, foi  lançado na mesma data do live action estrelado por VanDame que foi Street Fighter-A Última Batalha(Street Fighter, Japão, EUA, 1994).




E se essas informações já não iriam explodir sua cabeça e deixa-la bugada, o negócio vai fica ainda mais bizarro e louco é que na mesma data que no Japão foi produzido essa série de animes de SF, também foi produzida nos Estados Unidos uma série animada da marca de videogames da Capcom SF que foi produzida entre 1995 a 1997 que contou entre seus roteiristas com os criadores do jogo entre os roteiristas americanos e foi uma coprodução da Cartoon Express e Action Extreme Team da USA Network.




E era essa versão animada que o Senhor Silvio Santos(1930-2024), dono do  SBT estava de olho a trazer para sua grade, ocorre que por um deslize de distribuição acabou vindo a versão japonesa de Street Fighter que também estava em produção no Japão como informado do site Dublapédia sobre Street Fighter:

“A série foi licenciada pela Columbia Tristar (atual Sony Television) a partir de 1995 por engano. Inicialmente, o SBT compraria a animação ocidental, que teve problemas de produção. Com a indisponibilidade da produção em ser lançada, a Columbia renegociou com a emissora e trouxe o então recente anime japonês Street Fighter II Victory, que havia acabado de ser exibido no Japão ainda em 1995.”

Resultando então na vinda acidental da série animada japonesa de SF e a versão americana originalmente chamada de Street Fighter-The Animated Series que chegou no Brasil posteriormente pelo SBT ganhou o título para se diferenciar do anime de Street Fighter Game.




Quando eu lembro de Street Fighter, costumo me remeter a versão desse anime que o SBT costumava passar nas manhãs de sábado que foi minha primeira introdução a esse universo do jogo que cheguei a locar os cartuchos para jogar algumas vezes em meu antigo aparelho de SuperNintendo.




Que tinha uma história até que envolvente e bem construída sobre a jornada heroica de Ryu e Ken até se depararem com Bison algo que não posso dizer o mesmo com relação a versão cinematográfica horrível estrelada por VanDame como Guile.




Eu não vi na época que foi lançado na tela grande, a adaptação em live action que contou com a direção de Steven E. DeSouza que já era um renomado diretor dos filmes de ação e é quem assina o roteiro, só cheguei a assisti quando justamente o SBT o exibiu a primeira vez depois que eu já estava mais familiarizado com o universo de SF devido ao anime que a emissora passava.




Contou no seu elenco além do já mencionado VanDame, o famoso ator belga expert em artes marciais e na ocasião em que estrelou o filme já era mundialmente famoso pelos filmes de ação que estrelou tornando o nome mais rentável de Hollywood entre o final dos anos 1980 e começo dos anos 1990, na obra representando   o Coronel Guile.




Também contou com as participações da ilustre estrela da música pop teen de sucesso na época, a australiana Kyle Minogue representando a Cammy.

 E de Raúl Juliá(1940-1994), o ator porto-riquenho naturalizado americano que havia feito o Gomez Adams nos dois filmes de A Família Adams(1991-1993) que nesse filme fez   seu trabalho póstumo* representando o Bison.



Trata-se de um filme com uma história ruim, toda sem sentido, onde os personagens famosos do jogo são todos jogados do nada no enredo.

 Muito disso resultado do seu roteiro Frankenstein que teve muitas alterações, fora que VanDame nas gravações vivia dando muita dor de cabeça com a produção em querer mudar alguma cena.

Recentemente quando eu revisitei essa obra na Netflix constatei como ela envelheceu muito mal, mesmo VanDame sozinho não consegue sustentar a história que apresenta diálogos medíocres, que beiram a breguice de tão risivelmente desconfortáveis. Ainda mais envolvendo o destaque que eles dão muito para o Guile comandando um exército para combater Bison em Shaddaloo, onde ele reinava como um ditador. Guile apresenta muito um tropo narrativo de salvador branco.  Kyle Minogue mostra um desempenho mediano de atriz como Cammy que é muito subutilizada como uma assistente de Guile.

Raul Juliá até que consegue segurar bem as pontas na pele do Bison ao desempenhar sua essência egocêntrica e psicótica com seus planos mirabolantes e megalomaníacos de transformar Shaddaloo em seu paraíso pessoal, mesmo que seu desempenho se mostra um tanto sofrível pelo roteiro horrível.

 Fora o desperdício como eles trabalharam a subtrama da Chun-Lin que no filme foi vivida pela sino-americana Ming Na-When, transformaram Ken vivido por Damian Chapa e Ryu vivido pelo sino-americano Byron Mann em secundários, sendo que no jogo eles são os principais, dentre a vergonha alheia de atuações constrangedoras.




O que pelo menos, isso difere com relação a esse anime que foi derivado de um filme animado lançado um ano antes. Ele contou com apenas 29 episódios, é meio estranho, pois tínhamos a sensação de que fosse longa, talvez pelo SBT viver reprisando tenha criado essa sensação e a razão para sua pouco duração e ter encerrado numa única temporada tem uma explicação.   É porquê a animação foi considerado um fracasso no Japão, dentre os principais motivos para isso foram:

Baixa Retenção de Público: A audiência japonesa declinou acentuadamente nos episódios finais da série.

     Retorno Financeiro Fraco: O lucro esperado com a venda de produtos licenciados e merchandising ficou muito abaixo das expectativas da Capcom.

      Diferenças Drásticas com o Jogo: O enredo apresentou uma reinterpretação muito livre, com Ryu e Ken mais jovens, alterando idades, personalidades e a cronologia oficial dos jogos.

       Ausência de Personagens Clássicos: Vários lutadores marcantes dos fliperamas (como Blanka, E. Honda e Dhalsim) ficaram de fora ou tiveram pouca relevância, frustrando parte dos fãs japoneses.

          Enredo Acelerado: Devido ao corte de investimento e encerramento antecipado, a reta final da história precisou ser corrida, atropelando o desenvolvimento dos poderes dos protagonistas.

             O que foi diferente aqui no Brasil, que fez um grande sucesso e até hoje é lembrado e cuja principal razão para seu sucesso se deve ao fato de que a dublagem brasileira que passou por dois estúdios paulistas que foi a Megassom(1993-1995) que se encarregou de dublar os episódios 1 ao 12 e a Mastersound(1990-2009) que dublou dos episódios 13 ao 29.




          Em ambas foram mantidas a direção de Nelson Machado, que para quem acompanhou Chaves, deve conhece-lo pela voz do Quico(Carlos Villagrán). Que também fazia algumas locuções em Street Fighter,  e também foi quem compôs a  adaptação da música de abertura baseada na versão original de Yuki Kuroda e que na versão brasileira foi cantada pela dubladora Elisa Villon.   Com base no que ele já compartilhou numa entrevista em vídeos sobre sua experiência na direção de dublagem dessa obra e sobre seus bastidores:

“Contou que recebeu uma carta de recomendações adaptativas, mas que por pesquisa própria, já que o jogo fazia muito sucesso nos fliperamas de todo o país na época, ele decidiu não seguir integralmente. Uma das recomendações era que se chamasse o termo "Hadouken" de "Fire Ball", o que obviamente não aconteceu, entre outras.”

(Dublapédia).

Numa época ainda analógica, onde os únicos meios de informação mais acessíveis de colher era por meio da tradicional mídia impressa, como a Revista Herói que surgiu na onda de Cavaleiros do Zodíaco. Essa sua atitude se mostrou uma boa sacada genial, ainda mais em se tratando de quando o dublador Sérgio Moreno que fez a voz do Ken Masters ao incluir um bordão no personagem do “Ih, ó o cara aí!”, nos momentos mais descontraídos de Ken inspirado nas gírias e expressões cariocas que o grupo humorístico Casseta & Planeta costumava falar. O que digamos, se mostrou acertado pela forma como ele conseguiu imprimir um toque mais jovial e um tanto encrenqueiro ao personagem.




Dublagem que contou além do já mencionado Sérgio Moreno, em seu elenco de feras também contou com: Orlando Viggiani dublando o Ryu, Tania Gaidarj dublando a Chun-Li, Guilherme Lopes dublando o Guile, com alguns falecidos como: Denise Simonetto(1955-2025) dublando a Cammy White, Válter Santos(1946-2013) como a primeira voz do Inspetor Dubao, pai da Chun-Li, Daioz Cabezudo(1946-2006) como Dhalsim, Jonas Mello(1937-2020) como a voz do Zangieff e Antônio Moreno(1946-2022) como a voz do Mr. Bison.



    Faz poucos anos quando eu pude revisitar a obra quando esteve disponível na Netflix e pude constatar sem me deixar levar pelo fator nostalgia como a obra em algumas partes envelheceu bem e em outras partes envelheceu mal.

       Ela envelheceu bem na maneira como soube trabalhar e desenvolver a jornada heroica de Ken e Ryu ao fazerem suas viagens pelo mundo e em como eles treinaram para desenvolver o Haddoken, souberam trazer elementos policialescos com temáticas pesadas envolvendo tráfico de drogas, espionagem internacional e muitas características filosóficas das artes marciais com aqueles toques místicos.

        E também envelheceu bem ao trabalhar as técnicas de animação mais fluidas nas movimentações dinâmicas dos personagens dentre outros.

      Todas essas virtudes a tornam perfeita, olha, nem tanto. Porquê um  dos pontos que posso destacar que envelheceu um tanto mal na obra é a forma como Bison foi mal desenvolvido como vilão, ele é muito raso na sua motivação mirabolante, é mal porque é mal.

      Fora que outro ponto que envelheceu um tanto mal na obra foi a maneira como eles introduziram o lutador mascarado e com uma garra tripla lembrando o Wolverine que é o Vega com os protagonistas é durante uma viagem deles a Espanha o conhecem com ele participando de uma tourada. Ainda que aquilo simbolizasse um aspecto cultural local, mas simbolizava uma agressão ao animal. E como se não fosse pesado o bastante observar o Vega usando suas garras afiadas para perfurar suas garras num touro, há uma cena que mostra um touro enfurecido após a apresentação, Ken inventa de dá um golpe com uma mão para decepar o chifre dele que parece que foi replicado de uma cena de Seyia de Pégasus na sua luta contra o Cavaleiro de Ouro Aldebaran de Touro em Cavaleiro do Zodíaco.

       O teor gráfico da violência de nível sangrento a tornava pesada demais. Com certeza, essa cena seria impensável de ser replicada nos dias de hoje, por conta da pressão das entidades ambientais e protetoras dos animais.

 

 

 

A POLÊMICA DUBLAGEM E A CENA NUDEZ DE CHUN-LI NO FILME ANIMADO DE 1994.

Com o sucesso que a série conquistou aqui no Brasil, isso despertou o interesse pela distribuição do filme que veio antes da série animada.

Ele carrega uma curiosa história quanto aos bastidores de sua polêmica dublagem, que não foi produzida em nenhum estúdio brasileiro, mas, por mais estranho que possa parecer o que vou escrever foi num estúdio dos Estados Unidos, mais especificamente em Los Angeles, famosa Meca do cinema, o que resultou em fortes críticas negativas.

Principalmente pelo fato dela ter sido produzida em cima da versão americana que possui algumas diferenças no corte e alterações drásticas de trilha musical e efeitos, que o diferenciava do áudio original japonês.

Detalhe, isso ocorreu quando o longa animado foi exibido na tela grande. Já quando passou a ser distribuído para home vídeo e disponível para exibições na televisão, ele foi dublado no estúdio paulista da MasterSound onde grande parte dos personagens fixos foram mantidas suas vozes, as únicas modificações foi que no lugar da Tania Gaidardj que dublou a Chun-Li na série animada, nesse longa animado quem a dublou foi Fátima Noya, assim como Alessandra Araújo foi quem se encarregou de dublar a Cammy no lugar da Denise Simonetto.




E o mais doido é que o finado Jonas Mello que na série animada dublou Zangieff, foi quem se encarregou de dublar o Bison no lugar do também finado Antônio Moreno que o dublava na série animada.

Curiosamente o Zangieff desse filme é o único personagem que não tem creditado o nome do dublador preenchido no quadro do elenco de dublagem do site do Duplapédia.

É também segundo a Dublapédia, consta que o Blanka  nesse filme foi dublado por Nelson Machado, que também assume a direção de dublagem.

Sobre essa dublagem obscura dublagem de Street Fighter feita em Los Angeles, as informações são muito vagas, principalmente por ela figurar como uma mídia perdida completamente difícil de ser encontrada.

As poucas informações encontradas informações que o site do Duplapédia, a enciclopédia da dublagem brasileira consta a respeito da dublagem brasileira-americana do filme animado de SF, são sobre a menção dos poucos nomes dos dubladores que integraram o elenco dessa dublagem, mencionam os nomes de cinco dubladores no canto das vozes adicionais.

Dentre esses há a menção do finado Bira Castro(1953-2016), que para quem acompanhou o antigo canal pago infantil da Fox Kids(1996-2004)** deve lembrar bem da voz dele como o divertido locutor da irreverente grade de programação da emissora.  Que é o único que aparece creditado  em três personagens: Ken Masters, Bison e Fei Long.




E também há a menção de Carlos Tureta integrando o elenco dessa dublagem meio brasileira, meio americana do filme animado de SF.  Assim como a exemplo de Bira Castro, sua voz é muito lembrada por quem acompanhou outro canal pago infantil que é a Cartoon Network onde até hoje trabalha como locutor. O seu nome não aparece creditado a nenhum personagem, apenas entre as vozes adicionais.




Agora se teve um momento memorável dessa animação que muito marmanjo que era moleque quando viram o filme costumam mencionar é a cena de nudez da Chun-Li tomando uma chuveirada e aparecendo peladona.




Uma cena que não foi feita de forma tão gratuita, só para criar um clima ardente, todos os enquadramentos mostram bem dentro do sentido narrativo, ainda mais que ela sem perceber estava sendo vigiada  pelo Vega que só aparece para combater ela  depois que sai do banho e estava vestida e começa a lutar com ele.

Soube que na mais recente versão live action que está para estrear nas telonas agora no dia 15 de outubro, vão replicar essa cena da Chun-Li desse desenho com a personagem vivida pela canadense Callina Liang.

Só por isso mesmo, já me despertou a curiosidade.

 

 

*Raúl Juliá no momento em que participou das filmagens de Street Fighter ele já estava enfrentando um problema de saúde com um câncer no estômago o que o deixava debilitado, mesmo assim ele aceitou continuar filmando por causa dos seus filhos que eram fãs dos jogos de Street Fighter em homenagem a eles. Raúl Juliá morreu em 20 de outubro de 1994,  dois meses antes do lançamento de Street Figther nos cinemas americanos que ocorreu em 23 de dezembro de 1994. Portanto, marcou uma obra póstuma do ator que também deixou outros dois trabalhos póstumos lançados para televisão.   Além de Raúl Juliá, outro ator que participou do filme de Street Fighter dos anos 1990 que até o momento dessa publicação é o único que faleceu anos após o lançamento da produção é Peter Navy Tuaiasosopo(1963-2025) que representou o Honda em Street Fighter. Ele tinha 61 anos quando faleceu em fevereiro de 2025 de complicações cardíacas. Foi fazer companhia a Raúl Júlia no plano espiritual.

**As datas informadas pelo autor sobre o período de operações da marca Fox Kids, ou seja, entre 1996 a 2004 é somente com base em território nacional. Mesmo porquê foi apenas em território nacional que essa marca operou como um canal de tv por assinatura como conhecemos. Quando ele surgiu nos Estados Unidos em 1990, foi como um bloco de animações da Fox Broadcasting Company  e que encerrou suas atividades em 2002. Nunca virou uma emissora paga propriamente dita em solo americano. Logo após a compra da Disney, o canal mudou de nome para Jetix que durou até 2009 mudando para Disney XD que encerrou suas operações em 2022

quarta-feira, 9 de setembro de 2026

OS ANTECEDENTES DO 11 DE SETEMBRO DE 2001 EM JOGOS DO PODER.

 

Na trágica manhã de terça-feira, 11 de setembro de 2001, o mundo inteiro testemunhou a grande metrópole americana de Nova York sofrer um ataque terrorista nas duas maiores torres que simbolizavam o poderio corporativista que eram as Torres Gêmeas do World Trade Center.



Logo depois que foi descoberto que quem foi o responsável pela autoria do atentado foi de um grupo terrorista islâmico chamado de Al-Qaeda, comandado por Osama Bin Laden(1957-2011) cujo QG era no Afeganistão.




Nisso resultou como gente deve tá careca de saber, na invasão ao Afeganistão para tentar capturar Bin Laden, algo que levou anos para eles conseguirem capturarem até resultar na invasão do seu condomínio no Paquistão e o eliminarem em 2 de maio de 2011 quase 10 anos após o Atentado.



O que muita gente talvez não imagina é que muito disso foi consequência do que anos antes, durante a década de 1980, quando o Afeganistão sofreu com a invasão das tropas russas ainda no contexto de Guerra Fria, os Estados Unidos tiveram uma participação como fortes aliados deles em fornecer armamentos para eles se defenderem contra os russos e Bin Laden esteve envolvido nesse momento como um colaborador dos agente americanos.

A melhor maneira de compreenderem como se deu esse fato é indicando o filme Jogos do Poder(Charlie´s Wilson War, EUA, 2007).





Essa produção trata-se de um drama biográfico baseado na trajetória do congressista Charles Wilson(Tom Hanks) que nos anos 1980  foi o grande articulador nos bastidores de convencer o Congresso Americano a fornecer armas aos afegãos para se protegerem contra os russos que há anos haviam invadido o país e deixaram rastros de destruição  sobre ele.

Ele logicamente não conseguirá isso sozinho, terá como colaboradores as figuras da socialite Joanne Herrring(Julia Roberts) que vai ser responsável por marcar um encontro dele com o presidente Muhammad Zia-ul-Haq(Om Puri) do Paquistão.





E depois desse encontro com o agente da CIA Gust Avakrotos(Philip Seymour Hoffman), onde ele vai se articulando com um comerciante de armas em Israel e com um representante do governo egípcio para fornecerem armas para defenderem o povo afegão, onde teremos finalmente a vitória dos afegãos e a derrota dos russos, e com Charles Wilson sendo condecorado pela CIA.

O filme que foi baseado no livro A Guerra de Charlie Wilson: A história extraordinária da maior operação secreta da história, publicado em 2003 por George Crile III, cujo roteiro foi adaptado por Aaron Sorkin e contou com a direção de Mike Nichols(1931-2014), cineasta de longa carreira em Hollywood desde os anos 1960, e esse filme marcou o último de sua carreira.





A maneira como a trama foi estruturada onde sua narrativa explorou muito essa visão de guerra santa, tanto pela parte dos afegãos quanto pelos americanos usando do discurso bíblico cristão para fornecer armas para os afegãos se defenderem.

Mostrou bem como funciona os bastidores do congresso americano e suas articulações para aprovar um projeto.

E de como que o americano tem uma forte tendência a ser o salvador branco como é o caso em que o Charles Wilson(1933-2010) com relação aos afegãos, se bem que também que mostra que ele não era nada santinho.



O filme contou em seu elenco com Tom Hanks que mostra um brilhante desempenho na pele do Charles Wilson transitando entre um sujeito debochado, principalmente quando se aventura numa esbornia como é mostrado no início dele curtindo uma vida de playboy numa banheira de hidromassagem acompanhado de umas strippers e quando mostra sua seriedade em se tratando de proteger vidas humanas e mostrar o seu caráter heroico.

Também contou com Julia Roberts na pele da Joanne Herring, uma socialite amiga de Wilson que é famosa por suas caridades e por seu devotismo cristão, ela aqui assume bem a função dentro da narrativa de servir como uma ponte para o deputado Wilson chegar ao presidente paquistanês Zia, o saudoso Phillip Seymour Hoffman(1967-2014) na pele do Gust Avrakrotos(1938-2005) um colaborador de Wilson, mostrando um ótimo desempenho no seu perfil de pavio curto.   

Assim como mencionar as participações de Amy Adams na pele da Bonnie que é uma das assistentes do gabinete do deputado Wilson, onde ela se destaca por viver o acompanhando, principalmente nas suas viagens a trabalho.

Outras menções vai para:  Emilly Blunt na pele da Jane, a filha de um cara com quem Wilson recebe em seu gabinete e com quem logo ele tem um caso, o veterano Ned Beatty (1937-2021) mostra uma defesa brilhante desempenho do deputado Clarence “Doc” Long(1908-1994), ele  “ocupava o posto de presidente da subcomissão de Operações Estrangeiras do Comitê de Orçamento da Câmara dos Representantes dos EUA. Basicamente, ele era o homem que controlava as chaves do cofre para o financiamento de ajuda internacional e operações externas.”

(Informação fornecida pelo texto do Google)

Dentro do enredo de Jogos do Poder, o protagonista Wilson precisava urgentemente aumentar a verba secreta da CIA para enviar armas aos guerrilheiros mujahidin que combatiam a invasão soviética no Afeganistão.

E ele é convencido a ir ao local de refugiados de afegãos onde se utiliza do forte cunho religioso de Deus contra o Diabo para simbolizar o ideal do salvador branco imposta pelo americano ao mundo. Ao mesmo tempo que ele ilustra bem não se importar com os problemas do país como numa cena onde mostra ele saindo do seu gabinete ao lado de Wilson e lá estava presente a população indígena nativa que originou a América antes dos brancos e foram dizimados pelos colonos em nome do poder da religião, e ele os ignora completamente, representando bem o lado podre da vista grossa e hipócrita   dos congressistas americanos para a sua população local.

Outra presença saudosa no filme é do indiano Om Puri(1950-2017), que no filme mostra um excelente desempenho do presidente paquistanês Zia(1924-1988), um importante aliado de Wilson, tem uma cena dele convidado para um evento beneficente promovido por Joanne, onde ela ao apresenta-lo ao público comenta  mencionando que Zia não matou Butho, uma referência ao seu antecessor o Primeiro-Ministro  Zulfikar Ali Butho*(1928-1979) de quem ele tirou do poder em 1977 e dois anos depois ele foi executado por enforcamento sob as ordens diretas do regime  em abril de 1979, o que o  deixou com uma cara de desgosto como foi mostrada no filme ilustra bem como o cara não era lá muito flor que se cheirasse.

Assim como as participações de Brian Markinson como Paul Brown, Judy Tylor na pele de Chrystal Lee, Hilary Angelo como Kelly e Cyia Batten como Stacey que aparecem na cena onde dividem uma hidromassagem com Wilson que é o ponto de partida onde ele começa a ter contato com o Afeganistão por meio do noticiário do televisor dentro do estabelecimento.

Uma cena que “baseia-se livremente em uma investigação real que o deputado enfrentou após um encontro em Las Vegas em 1980, onde ele foi acusado de usar cocaína. No entanto, os nomes e as figuras das mulheres que estavam com ele naquela noite foram amplamente alterados ou sintetizados no roteiro cinematográfico para fins dramáticos e jurídicos.”

(Informação gerada pelo Google).

O que mostra bem como apesar de se tratar de um drama real, a trama também se utilizou de licença poéticas.

Assim como não posso deixar de mencionar que sua estética soube bem como reproduzir a atmosfera dos anos 1980, ultimamente tão na moda nas trends das redes sociais feita com inteligência artificial, principalmente focado no vestir formal de Wilson e Ghust   engomadinho que remete bem a estética dos jovens executivos yuppies, do mesmo modo que o design de produção trabalhou bem a estética   retro kitsch na mansão da Joanne, por exemplo.

Numa época que eu tive um DVD desse filme, nele chegou a mostrar no making off, o registro do depoimento do Charles Wilson real enquanto estava vivo, ele faleceu em 10 de fevereiro de 2010, vítima de uma parada cardiorrespiratória.

A maneira como o filme concluiu mostrando a vitória dos afegãos contra os russos no final dos anos 1980 com as armas fornecidas, que como se não se bastasse essa humilhação ainda foram vendo seu longo império socialista chegar as ruinas com a Queda do Muro de Berlim em 1989 e a Dissolução da União Soviética em 1991.

Ele também marcou o ponto de partida para o que viria mais para frente, principalmente depois que em Agosto de 1990 quando as tropas de um país do Oriente Médio chamado Iraque, comandado pelo tirânico Saddam Hussein(1937-2006), mandou invadir o Kwait por conta do petróleo e os americanos foram bombardear no ficou como conhecido como Guerra do Golfo em referência a localização geográfica do Iraque  ser no Golfo Pérsico até quando  chegou ao fim em fevereiro de 1991, é nesse momento que Bin Laden que então havia colaborado com os americanos passa ser seu inimigo ao ver as tropas dos EUA instalarem  suas na bases nesse conflito  em   seu país natal: a Arábia Saudita que se torna aliada dos americanos nesse conflito.

E ele passa a se utilizar de toda a experiência do treinamento militar que aprendeu com os americanos e das armas para formar o temido grupo terrorista da Al-Qaeda que foi responsável pelo atentado em Nova York.

Pode-se concluir que a ideia do 11 de setembro de 2001, não foi uma casualidade, nem foi impulsivo, já vinha sendo planejado por alguém que um dia já foi aliado dos americanos.

 

*Anos depois, a filha de Butho que virou Primeira-Ministra do Paquistão Benazir Butho(1953-2007) teve um fim trágico assim como o pai. Benazir Butho foi morta no dia 27 de dezembro de 2007, durante um atentado suicida em Rawalpindi, cidade próxima a Islamabad, quando retornava de um comício no Parque Liaquat. O ataque ocorreu enquanto o carro da ex-primeira-ministra trafegava, seguido por simpatizantes, e Benazir acenava para a multidão, pelo teto solar do veículo.   Bhutto foi alvejada no pescoço e no peito, possivelmente por um homem bomba que, em seguida, se explodiu próximo ao veículo, provocando a morte de cerca de 20 pessoas. Um dirigente da Al-Qaeda no Afeganistão reivindicou a responsabilidade pelo ato.


segunda-feira, 17 de agosto de 2026

20 ANOS DO CURTA TAPA NA PANTERA

 

No dia 18 de agosto de 2006, era exibido um curta-metragem brasileiro postado no site do Youtube chamado Tapa na Pantera(Brasil, 2006).

Essa produção contou com assinatura de três diretores: Mariana Bastos, Esmir Filho e Rafael Gomes, este último também creditado como roteirista e editor.






O curta-metragem de três minutos de duração, teve sua postagem feita sem autorização da produção onde mostrava o depoimento de uma senhora usuária de maconha que foi representada pela atriz Maria Alice Vergueiro(1935-2020) que em outras fontes a creditam como roteirista.

 

Ela que já era uma atriz que acumulou longa carreira em teatro, cinema e em alguns poucos trabalhos em televisão.

Nessa obra, ela representou brilhantemente o papel de uma senhora usuária de maconha que não se identifica com nome, como se tivesse prestando um depoimento numa entrevista para televisão expressando de uma forma espontânea, com um humor mais contido a personagem em estado de êxtase ao argumentar a sua justificativa de fumar no cachimbo, porque o que faz mal  para ela não é a droga em sim, é o papel. Sua maneira de expressar com ar grogue, chapadona chegou ao    ponto de pensar que aquilo  fosse verídico. O seu título se referia a expressão popular do Dar um tapa na pantera*, que significava fumar maconha. 




O que levou ele a ser assistido por cerca de 235 mil internautas no site do Youtube,  que até aquele  momento não era essa plataforma que virou essa forte marca que conhecemos hoje em dia.




 Digo isso porquê, quando a famosa plataforma de compartilhamento de vídeos surgiu nos Estados Unidos em Outubro de 2004 na Califórnia, fundada por:  Chad Hurley, Steven Chen e Jawed Karim. Nesses primeiros anos de operação, a plataforma ainda não era como conhecemos hoje com  esse nível forte de influência, assistir a vídeos nessa plataforma ainda eram lentos e assim era uma coisa mais broadcast(enviar por escala) nesses primeiros anos, era simplesmente um armazenador de vídeos.




Os primeiros vídeos que a gente costumava vê nesses primeiros anos de operações da plataforma no Brasil não eram as produções originais de criadores de conteúdos   de suas contas, eram compartilhamento de videoclipes de artistas, eram alguns trechos de arquivos de antigos programas de tv brasileiro, é dessa época que surgiu a conta de nome Mofo TV, do saudoso José Marques Neto(1965-2023) que foi a grande referência em preservar o arquivo da TV no Brasil.




Eu tenho uma vaga recordação da primeira vez que tive contato com essa plataforma quando na antiga rede social do Orkut, alguém numa comunidade que não lembro qual era postou um link que levou a esse vídeo, isso lá por volta de 2006.

Com o passar do tempo, o Youtube foi aos poucos se consolidando graças ao surgimento de  criadores de conteúdo que foram surgindo denominados de Youtubers  expondo a cara e a coragem ao se comunicarem no estilo da comunicação  descolada sem filtro que atraia o público jovem, expondo suas opiniões a respeito de qualquer assunto do cotidiano tipicamente brasileiro, sem muita roteirização nem nada.

Fosse em formato de vlogs(Termo para vídeo blogs) ou mesmo formato de tutoriais como os de videogames.

Isso levou ao interesse dos anunciantes e começou a abrir os olhos para o ponto  de partida para o surgimento de  uma forte concorrente com as corporações mais tradicionais de mídias.

A MTV sentiu esse peso por assim dizer, antes uma forte marca atrelada a audiência jovem, estava perdendo sua relevância naquele momento, primeiro na indústria fonográfica na qual ela era a grande referência, as exibições dos videoclipes dos artistas em sua grade de programação simbolizava bem  a forte vitrine de  divulgar talentos fora do mainstream e trazia programas mais descontraídos, anárquicos, caóticos, que  dialogavam no estilo mais sem filtro,  despojado da linguagem jovial informal, cheia de gírias, cujos apresentadores faziam programas que fugiam ao estilo mais engessado de algumas emissoras, que simbolizava bem o público jovem.




Tudo isso ela foi perdendo espaço quando as grandes corporações de gravadoras passaram a divulgar as músicas dos seus grandes artistas rentáveis nessas plataformas, incluindo o videoclipe.  E o público jovem vinha migrando para essas plataformas assistindo conteúdo dos criadores chamados de  youtubers como: Felipe Netto, Cauê Moura, Izzy Nobre, P.C. Siqueira(1986-2023), Kéfera Buchmann, o Omelete, uma importante marca  de site geek/nerd passou também a postar vídeos no Youtube e virou a referência da comunicação jovem inspirado no próprio formato da MTV.



A marca da MTV encerraria suas operações em solo brasileiro  duas vezes. Duas vezes, como assim? Explico: Primeiro foi em setembro de 2013, depois que o Grupo Abril que detinha o licenciamento da marca para operar no Brasil e a lançou em 1990,  resolveu devolver a marca MTV à Viacom, já que naquele momento a Abril vinha passando por um colapso financeiro que se agravou depois do falecimento de Roberto Civita(1936-2013), filho do fundador Victor Civita(1907-1990), que sabia como gerenciar a editora e com o falecimento dele, a situação só piorou, o que levou a editora a fazer contenção  de gastos, tendo que diminuir o seu rico acervo de portfólios de revistas.

A partir daí a marca continuou operando em solo brasileiro pelas mãos da Viacom, apenas como tv por assinatura, mas sem a mesma influência e o mesmo prestigio de antes. Onde estava exibindo os reality shows como De Férias com o Ex. E isso durou até o momento dela encerrar suas operações definitivamente em 31 de dezembro de 2025.

O crescimento do site de compartilhamento de vídeos fez com que alguns nomes de pessoas que tinham trabalhado na mídia tradicional migrasse para essa plataforma.

Como é o caso do jornalista Britto Jr. com passagens por diferentes emissoras onde fez carreira como repórter e foi apresentador do entretenimento na Record e que hoje em dia(com perdão do  trocadilho com o título do antigo programa que ele comandou na Record nos anos 2000), afastado do meio televisivo  produz  uma crônica eletrônica em seu canal no Youtube.

Do mesmo jeito que também é o caso de Mauricio Ricardo, um chargista, cartunista e músico, onde este no caso como posso descrever já é um dinossauro da internet brasileira antes de existir o Youtube.

Digo  isso porque desde  de Fevereiro de 2000, ele vinha  produzindo charges animadas num programa de  Adobe Flash que eram postadas primeiro num antigo site do Zip.net, que a partir de Setembro de 2003 passou a fazer parte do Portal UOL. Onde lá ele passou a exibir suas charges animadas, foi nesse mesmo interim que o seu trabalho ganharia mais popularidade quando foi contratado pela Rede Globo para animar charges dos programas Domingão do Faustão, Mais Você e  Big Brother Brasil.

A partir de 2010, ele resolveu investir em postar suas charges animadas no Youtube  que duraram  até 2022, quando resolveu parar de postar devido as questões envolvendo a monetização da plataforma digital e por um tempo chegou a postar vídeos expondo suas opiniões críticas sobre temáticas cotidiano.

E recentemente nessa última edição da Copa do Mundo nos Estados Unidos, México e Canadá, testemunhamos o canal do Youtube brasileiro da CazéTV mostrar o seu predomínio nas transmissões das partidas, tirando até mesmo o embalo da concorrência da Globo com seus patrocínios controversos de bets.

Posso concluir que essa obra simbolizou bem um ponto de partida para introduzir o Youtube para nós brasileiros, e fora que assim sua estrutura se mostra bem conceitual, experimental de uma produção independente que foi apresentado no 14º Festival de Cinema de Gramado, onde pela forma de sua duração de três minutos centrado no monólogo de uma senhora que compartilha sua experiência com as drogas há 30 anos sem constrangimento nenhum de uma forma pitoresca e junte ao brilhante desempenho da saudosa Maria Alice Vergueiro**,  com um ar mais autêntico e ao  natural como ela a representa completamente doidona, chapada  com um jeito de uma senhora meio  riponga***, faz parecer um relato de uma pessoa verdade.

Diante de tudo isso posso descrever que essa obra torna-se bastante referencial para se estudar cinema, principalmente para os que estão começando na carreira de cineastas ela é uma aula interessante de como desenvolver um roteiro simples, limitado em um único cenário com um único personagem para fazer monólogo onde ele pode mostrar muito cativante dependendo de como o texto e a direção podem serem bem trabalhados.  E isso, com certeza é o grande legado que Tapa na Pantera deixou.

*O nome referente ao animal da espécie dos felinos, também já foi uma gíria usada no Brasil entre os anos 1960 a 1970 para descrever uma mulher de beleza atraente com ar de sexy appeall. Tanto que por exemplo: a famosa socialite brasileira Ângela Diniz(1944-1976) foi referida como a Pantera de Minas, o seu estado natal. E a famosa série americana estrelada por três espiãs que no original é Charles Angels, no Brasil virou As Panteras.

**A atriz Maria Alice Vergueiro faleceu em 3 de Julho de 2020, vítima de pneumonia após ficar internada na UTI do Hospital das Clinicas de São Paulo com suspeita de Covid-19. Lembrando que seu falecimento se deu bem no pico da pandemia.

*** Gíria de tom jocoso ou pejorativo usada no Brasil para se referir a uma pessoa hippie ou adepta da contracultura das décadas de 1960 e 1970. A palavra mistura o termo em inglês rip (de hippie) com o sufixo expressivo -onga. Costuma ser empregado de forma zombeteira por quem critica ou acha engraçado o visual, os hábitos ou o jeito despojado dessas pessoas.