O meu primeiro contato com Street Figther foi assistindo ao anime que o SBT passava nas manhãs de sábado antes de saber da existência dessa franquia de jogos da Capcom.
Esse
anime foi concebido pouco tempo depois de fazerem uma versão live action
constrangedora estrelada pelo astro da ação Jean-Claude VanDame.
A
produção desse anime carrega uma história curiosa, principalmente no que diz
respeito a maneira como ele foi distribuído aqui no Brasil, que veio como alternativa
a outra versão animada de Street Fighter que
era a versão que o SBT estava de olho, mas que devido a algumas dificuldades
burocráticas acabou que esse anime foi chegando primeiro e ao mesmo tempo que
estava em produção no Japão. É meio confuso, mas vou tentar explicar qual foi o
motivo e analisar o contexto.
Começo
com o seguinte questionamento: Quem nunca se perguntou por quê o título era Street Fighter II se não tivemos conhecimento de uma temporada que
antecede a essa história?
A
explicação é: Porquê o anime foi
inspirado no jogo da Capcom intitulado de Street
Fighter II: The World Warrior(Japão, 1991) que trata-se de uma sequência do
primeiro jogo surgido em 1987 criado por
Hiroshi Matsumoto, Takashi Nishiyama e Yoshiki Okamoto.
Nesse
anime cujo roteiro é creditado a seis roteiristas formados por: Takashi
Nishiyama, Mary Claypool, Masumi Hiranagi, Nayouki Sakai, Sô Toyama e Kenya
Sawada e teve a direção de Takuya Satô e Gisaburô Sugii.
Esse
mesmo que havia dirigido um ano antes o desenho animado intitulado de Street Fighter II-The Movie(Japão, 1994)
produzida pela mesma produtora Group TAC e também contou com a participação de
alguns dos roteiristas que trabalharam na equipe criativa da série animada
lançada no ano seguinte.
Esse
filme animado que originou a série animada que também é referenciada como Street Fighter II: Victory(Japão, 1995)
sei que é confuso esse monte de informação, mas vamos lá, foi lançado na mesma data do live action estrelado
por VanDame que foi Street Fighter-A Última Batalha(Street Fighter,
Japão, EUA, 1994).
E
se essas informações já não iriam explodir sua cabeça e deixa-la bugada, o
negócio vai fica ainda mais bizarro e louco é que na mesma data que no Japão
foi produzido essa série de animes de SF,
também foi produzida nos Estados Unidos uma série animada da marca de
videogames da Capcom SF que foi
produzida entre 1995 a 1997 que contou entre seus roteiristas com os criadores
do jogo entre os roteiristas americanos e foi uma coprodução da Cartoon Express e Action Extreme Team da USA
Network.
E
era essa versão animada que o Senhor Silvio Santos(1930-2024), dono do SBT estava de olho a trazer para sua grade,
ocorre que por um deslize de distribuição acabou vindo a versão japonesa de
Street Fighter que também estava em produção no Japão como informado do site
Dublapédia sobre Street Fighter:
“A série foi licenciada pela Columbia Tristar
(atual Sony Television) a partir de 1995 por engano. Inicialmente, o SBT
compraria a animação ocidental, que teve problemas de produção. Com a indisponibilidade
da produção em ser lançada, a Columbia renegociou com a emissora e trouxe o
então recente anime japonês Street Fighter II Victory, que havia acabado de ser
exibido no Japão ainda em 1995.”
Resultando
então na vinda acidental da série animada japonesa de SF e a versão americana originalmente chamada de Street Fighter-The Animated Series que
chegou no Brasil posteriormente pelo SBT ganhou o título para se diferenciar do
anime de Street Fighter Game.
Quando
eu lembro de Street Fighter, costumo
me remeter a versão desse anime que o SBT costumava passar nas manhãs de sábado
que foi minha primeira introdução a esse universo do jogo que cheguei a locar
os cartuchos para jogar algumas vezes em meu antigo aparelho de SuperNintendo.
Que
tinha uma história até que envolvente e bem construída sobre a jornada heroica de
Ryu e Ken até se depararem com Bison algo que não posso dizer o mesmo com
relação a versão cinematográfica horrível estrelada por VanDame como Guile.
Eu
não vi na época que foi lançado na tela grande, a adaptação em live action que
contou com a direção de Steven E. DeSouza que já era um renomado diretor dos
filmes de ação e é quem assina o roteiro, só cheguei a assisti quando
justamente o SBT o exibiu a primeira vez depois que eu já estava mais
familiarizado com o universo de SF devido
ao anime que a emissora passava.
Contou
no seu elenco além do já mencionado VanDame, o famoso ator belga expert em
artes marciais e na ocasião em que estrelou o filme já era mundialmente famoso
pelos filmes de ação que estrelou tornando o nome mais rentável de Hollywood
entre o final dos anos 1980 e começo dos anos 1990, na obra representando o
Coronel Guile.
Também
contou com as participações da ilustre estrela da música pop teen de sucesso na
época, a australiana Kyle Minogue representando a Cammy.
E de Raúl Juliá(1940-1994), o ator
porto-riquenho naturalizado americano que havia feito o Gomez Adams nos dois
filmes de A Família Adams(1991-1993) que nesse filme fez seu trabalho póstumo* representando o Bison.
Trata-se
de um filme com uma história ruim, toda sem sentido, onde os personagens
famosos do jogo são todos jogados do nada no enredo.
Muito disso resultado do seu roteiro Frankenstein
que teve muitas alterações, fora que VanDame nas gravações vivia dando muita
dor de cabeça com a produção em querer mudar alguma cena.
Recentemente
quando eu revisitei essa obra na Netflix constatei como ela envelheceu muito
mal, mesmo VanDame sozinho não consegue sustentar a história que apresenta
diálogos medíocres, que beiram a breguice de tão risivelmente desconfortáveis.
Ainda mais envolvendo o destaque que eles dão muito para o Guile comandando um
exército para combater Bison em Shaddaloo, onde ele reinava como um ditador.
Guile apresenta muito um tropo narrativo de salvador branco. Kyle Minogue mostra um desempenho mediano de
atriz como Cammy que é muito subutilizada como uma assistente de Guile.
Raul
Juliá até que consegue segurar bem as pontas na pele do Bison ao desempenhar
sua essência egocêntrica e psicótica com seus planos mirabolantes e
megalomaníacos de transformar Shaddaloo em seu paraíso pessoal, mesmo que seu
desempenho se mostra um tanto sofrível pelo roteiro horrível.
Fora o desperdício como eles trabalharam a
subtrama da Chun-Lin que no filme foi vivida pela sino-americana Ming Na-When, transformaram
Ken vivido por Damian Chapa e Ryu vivido pelo sino-americano Byron Mann em
secundários, sendo que no jogo eles são os principais, dentre a vergonha alheia
de atuações constrangedoras.
O
que pelo menos, isso difere com relação a esse anime que foi derivado de um
filme animado lançado um ano antes. Ele contou com apenas 29 episódios, é meio
estranho, pois tínhamos a sensação de que fosse longa, talvez pelo SBT viver
reprisando tenha criado essa sensação e a razão para sua pouco duração e ter
encerrado numa única temporada tem uma explicação. É porquê a animação foi considerado um
fracasso no Japão, dentre os principais motivos para isso foram:
Baixa Retenção de
Público: A audiência japonesa declinou acentuadamente
nos episódios finais da série.
Retorno Financeiro Fraco: O lucro esperado com a venda de produtos
licenciados e merchandising ficou muito abaixo das expectativas da
Capcom.
Diferenças Drásticas com o
Jogo: O enredo apresentou uma reinterpretação muito
livre, com Ryu e Ken mais jovens, alterando idades, personalidades e a
cronologia oficial dos jogos.
Ausência de Personagens
Clássicos: Vários lutadores marcantes
dos fliperamas (como Blanka, E. Honda e Dhalsim) ficaram de fora ou tiveram
pouca relevância, frustrando parte dos fãs japoneses.
Enredo Acelerado: Devido ao corte de investimento e
encerramento antecipado, a reta final da história precisou ser corrida,
atropelando o desenvolvimento dos poderes dos protagonistas.
O que foi diferente aqui no
Brasil, que fez um grande sucesso e até hoje é lembrado e cuja principal razão para
seu sucesso se deve ao fato de que a dublagem brasileira que passou por dois
estúdios paulistas que foi a Megassom(1993-1995)
que se encarregou de dublar os episódios 1 ao 12 e a Mastersound(1990-2009) que dublou dos episódios 13 ao 29.
Em ambas foram mantidas a direção de
Nelson Machado, que para quem acompanhou Chaves,
deve conhece-lo pela voz do Quico(Carlos Villagrán). Que também fazia algumas
locuções em Street Fighter, e também foi quem compôs a adaptação da música de abertura baseada na
versão original de Yuki Kuroda e que na versão brasileira foi cantada pela
dubladora Elisa Villon. Com base no que ele já compartilhou numa
entrevista em vídeos sobre sua experiência na direção de dublagem dessa obra e
sobre seus bastidores:
“Contou que recebeu uma carta de
recomendações adaptativas, mas que por pesquisa própria, já que o jogo fazia
muito sucesso nos fliperamas de todo o país na época, ele decidiu não seguir
integralmente. Uma das recomendações era que se chamasse o termo
"Hadouken" de "Fire Ball", o que obviamente não aconteceu,
entre outras.”
(Dublapédia).
Numa época ainda analógica,
onde os únicos meios de informação mais acessíveis de colher era por meio da
tradicional mídia impressa, como a Revista Herói
que surgiu na onda de Cavaleiros do
Zodíaco. Essa sua atitude se mostrou uma boa sacada genial, ainda mais em
se tratando de quando o dublador Sérgio Moreno que fez a voz do Ken Masters ao
incluir um bordão no personagem do “Ih, ó
o cara aí!”, nos momentos mais descontraídos de Ken inspirado nas gírias e
expressões cariocas que o grupo humorístico Casseta
& Planeta costumava falar. O que digamos, se mostrou acertado pela
forma como ele conseguiu imprimir um toque mais jovial e um tanto encrenqueiro
ao personagem.
Dublagem que contou além do
já mencionado Sérgio Moreno, em seu elenco de feras também contou com: Orlando
Viggiani dublando o Ryu, Tania Gaidarj dublando a Chun-Li, Guilherme Lopes
dublando o Guile, com alguns falecidos como: Denise Simonetto(1955-2025)
dublando a Cammy White, Válter Santos(1946-2013) como a primeira voz do
Inspetor Dubao, pai da Chun-Li, Daioz Cabezudo(1946-2006) como Dhalsim, Jonas
Mello(1937-2020) como a voz do Zangieff e Antônio Moreno(1946-2022) como a voz
do Mr. Bison.
Faz
poucos anos quando eu pude revisitar a obra quando esteve disponível na Netflix
e pude constatar sem me deixar levar pelo fator nostalgia como a obra em algumas
partes envelheceu bem e em outras partes envelheceu mal.
Ela envelheceu bem na maneira como soube trabalhar e desenvolver a
jornada heroica de Ken e Ryu ao fazerem suas viagens pelo mundo e em como eles
treinaram para desenvolver o Haddoken, souberam trazer elementos policialescos
com temáticas pesadas envolvendo tráfico de drogas, espionagem internacional e
muitas características filosóficas das artes marciais com aqueles toques
místicos.
E também envelheceu bem ao trabalhar as técnicas de animação mais
fluidas nas movimentações dinâmicas dos personagens dentre outros.
Todas
essas virtudes a tornam perfeita, olha, nem tanto. Porquê um dos pontos que posso destacar que envelheceu
um tanto mal na obra é a forma como Bison foi mal desenvolvido como vilão, ele
é muito raso na sua motivação mirabolante, é mal porque é mal.
Fora que outro ponto que envelheceu um tanto mal na obra foi a maneira
como eles introduziram o lutador mascarado e com uma garra tripla lembrando o Wolverine
que é o Vega com os protagonistas é durante uma viagem deles a Espanha o
conhecem com ele participando de uma tourada. Ainda que aquilo simbolizasse um
aspecto cultural local, mas simbolizava uma agressão ao animal. E como se não
fosse pesado o bastante observar o Vega usando suas garras afiadas para
perfurar suas garras num touro, há uma cena que mostra um touro enfurecido após
a apresentação, Ken inventa de dá um golpe com uma mão para decepar o chifre
dele que parece que foi replicado de uma cena de Seyia de Pégasus na sua luta contra o Cavaleiro de Ouro Aldebaran
de Touro em Cavaleiro do Zodíaco.
O teor gráfico da violência de nível sangrento a tornava pesada demais. Com
certeza, essa cena seria impensável de ser replicada nos dias de hoje, por
conta da pressão das entidades ambientais e protetoras dos animais.
A POLÊMICA DUBLAGEM E A CENA
NUDEZ DE CHUN-LI NO FILME ANIMADO DE 1994.
Com o sucesso que a série
conquistou aqui no Brasil, isso despertou o interesse pela distribuição do
filme que veio antes da série animada.
Ele carrega uma curiosa
história quanto aos bastidores de sua polêmica dublagem, que não foi produzida
em nenhum estúdio brasileiro, mas, por mais estranho que possa parecer o que
vou escrever foi num estúdio dos Estados Unidos, mais especificamente em Los Angeles,
famosa Meca do cinema, o que resultou em fortes críticas negativas.
Principalmente pelo fato
dela ter sido produzida em cima da versão americana que possui algumas
diferenças no corte e alterações drásticas de trilha musical e efeitos, que o
diferenciava do áudio original japonês.
Detalhe, isso ocorreu quando
o longa animado foi exibido na tela grande. Já quando passou a ser distribuído
para home vídeo e disponível para exibições na televisão, ele foi dublado no
estúdio paulista da MasterSound onde grande parte dos personagens fixos foram mantidas
suas vozes, as únicas modificações foi que no lugar da Tania Gaidardj que
dublou a Chun-Li na série animada, nesse longa animado quem a dublou foi Fátima
Noya, assim como Alessandra Araújo foi quem se encarregou de dublar a Cammy no
lugar da Denise Simonetto.
E o mais doido é que o
finado Jonas Mello que na série animada dublou Zangieff, foi quem se encarregou
de dublar o Bison no lugar do também finado Antônio Moreno que o dublava na
série animada.
Curiosamente o Zangieff desse
filme é o único personagem que não tem creditado o nome do dublador preenchido
no quadro do elenco de dublagem do site do Duplapédia.
É também segundo a
Dublapédia, consta que o Blanka nesse
filme foi dublado por Nelson Machado, que também assume a direção de dublagem.
Sobre essa dublagem obscura
dublagem de Street Fighter feita em Los Angeles, as informações são muito
vagas, principalmente por ela figurar como uma mídia perdida completamente
difícil de ser encontrada.
As poucas informações
encontradas informações que o site do Duplapédia, a enciclopédia da dublagem
brasileira consta a respeito da dublagem brasileira-americana do filme animado
de SF, são sobre a menção dos poucos
nomes dos dubladores que integraram o elenco dessa dublagem, mencionam os nomes
de cinco dubladores no canto das vozes adicionais.
Dentre esses há a menção do
finado Bira Castro(1953-2016), que para quem acompanhou o antigo canal pago infantil
da Fox Kids(1996-2004)** deve lembrar
bem da voz dele como o divertido locutor da irreverente grade de programação da
emissora. Que é o único que aparece
creditado em três personagens: Ken
Masters, Bison e Fei Long.
E também há a menção de
Carlos Tureta integrando o elenco dessa dublagem meio brasileira, meio
americana do filme animado de SF. Assim
como a exemplo de Bira Castro, sua voz é muito lembrada por quem acompanhou
outro canal pago infantil que é a Cartoon
Network onde até hoje trabalha como locutor. O seu nome não aparece
creditado a nenhum personagem, apenas entre as vozes adicionais.
Agora se teve um momento memorável
dessa animação que muito marmanjo que era moleque quando viram o filme costumam
mencionar é a cena de nudez da Chun-Li tomando uma chuveirada e aparecendo
peladona.
Uma cena que não foi feita
de forma tão gratuita, só para criar um clima ardente, todos os enquadramentos
mostram bem dentro do sentido narrativo, ainda mais que ela sem perceber estava
sendo vigiada pelo Vega que só aparece
para combater ela depois que sai do
banho e estava vestida e começa a lutar com ele.
Soube que na mais recente
versão live action que está para estrear nas telonas agora no dia 15 de outubro,
vão replicar essa cena da Chun-Li desse desenho com a personagem vivida pela
canadense Callina Liang.
Só por isso mesmo, já me despertou
a curiosidade.
*Raúl
Juliá no momento em que participou das filmagens de Street Fighter ele já estava
enfrentando um problema de saúde com um câncer no estômago o que o deixava
debilitado, mesmo assim ele aceitou continuar filmando por causa dos seus
filhos que eram fãs dos jogos de Street Fighter em homenagem a eles. Raúl Juliá
morreu em 20 de outubro de 1994, dois
meses antes do lançamento de Street Figther nos cinemas americanos que ocorreu
em 23 de dezembro de 1994. Portanto, marcou uma obra póstuma do ator que também
deixou outros dois trabalhos póstumos lançados para televisão. Além de
Raúl Juliá, outro ator que participou do filme de Street Fighter dos anos 1990
que até o momento dessa publicação é o único que faleceu anos após o lançamento
da produção é Peter Navy Tuaiasosopo(1963-2025) que representou o Honda em Street
Fighter. Ele tinha 61 anos quando faleceu em fevereiro de 2025 de complicações
cardíacas. Foi fazer companhia a Raúl Júlia no plano espiritual.




































