domingo, 2 de agosto de 2026

O DOCUMENTÁRIO DOS JOGOS OLIMPICOS DE BERLIM

 

Nesse ano de 2026, vai ser celebrado os 90 anos que era realizado a edição dos Jogos Olímpicos de Verão de 1936 em Berlim, na Alemanha. Realizados entre os dias 1º a 16 de Agosto de 1936.




Uma edição que ficou marcada pelo cenário até hoje polêmico de ter ocorrido no contexto histórico onde a Alemanha estava sob Regime Nazista de Adolf Hitler(1889-1945).




Essa edição foi registrada no documentário Olympia(Alemanha, 1938) filme dirigido pela cineasta Leni Riesfental(1902-2003) que documenta em mais de três horas de duração como foi o grande evento esportivo polêmico.




Trata-se de um interessante registro de um evento esportivo ocorrido num pais que vivia sobre a sombra da ideologia da intolerância racial como o nazismo, dirigido por uma polêmica cineasta cujas obras sempre foram vistas como uma peça de propaganda do regime nazista.




Prova disso é que ela dirigiu Triunfo da Vontade(Triumph des Willens, Alemanha, 1935) que documenta bem o registro histórico da Ascenção do nazismo na Alemanha e do Terceiro Reich.




Apesar disso, o filme não deixa de ser um bom registro e uma boa aula de cinema, principalmente pela qualidade técnica como a cineasta conseguia captar os movimentos dos atletas na competição e principalmente pelos planos abertos de cada modalidade.



Mesmo tendo como ressalva, o fato de que o filme de todo jeito ainda é uma peça de propaganda do nazismo, e é preciso ter uma cautela, um pouco de discernimento ao assistir a essa obra e entende-la dentro do seu contexto.

Ele também serve como um bom exemplo para estudo historiográfico sobre a Alemanha Nazista.

“Um povo que não conhece a sua história, está condenado a repeti-la”.

(Edmund Burke).

sábado, 18 de julho de 2026

A JORNADA DE JASÃO E OS ARGONAUTAS

Para entrar no clima do lançamento do novo épico A Odisséia, com direção de Christopher Nolan, uma nova adaptação cinematográfica do clássico literário de Homero.

Trago aqui um comentário do clássico épico de fantasia inspirado na jornada heroica de outro mítico herói da Grécia Antiga, o Jasão em Jasão e os Argonautas (Jason and the Argonauts,EUA,Reino Unido, 1963).



 Uma produção britânico-estadunidense que contou com a direção do britânico Don Chaffey(1917-1990). Cujo roteiro escrito por Jan Head(1917-2012) e Berveley Cross(1931-1998) foi inspirado no poema grego de As Argonáuticas de Apolónio de Rodes (295 a.C-215 a.C) e cuja produção-executiva foi assinada por John Dark(1927-2015).

Produção essa marcada pelos efeitos de animações em stop motion das criaturas que contou com a colaboração de um mestre nessa arte que foi o americano Ray Harryhause(1920-2013) e com colaboração de Charles H. Schnner(1920-2009) e cuja trilha sonora foi assinada pelo também americano Bernard Herman(1911-1975).




       A movimentação desses bonecos dão um tom realismo, que dificilmente os atuais recursos mais modernos de CGI conseguiriam replicar.

       Junto a estrutura narrativa de toda a jornada heroica de Jasão enfrentando todos os maiores desafios, contando claro com a colaboração da Deusa Hera e seus companheiros argonautas enfrentando criaturas e feiticeiras.




Cuja menção ao brilhante elenco vai para o americano Todd Armstrong(1937-1992) na pele do protagonista Jasão, que mostra um excelente desempenho na sua essência heroica e destemida.  

 O seu elenco também conta com a participação da britânica Honor Blackman(1925-2020), que no filme fez um bom desempenho como a Deusa Hera que assume a função de ajudar Jasão.




Essa mesma que no ano seguinte faria a famosa bond girl Pussy Galore no filme 007 Contra Goldfinger(Goldfinger, Reino 1964) o terceiro estrelado por Sean Connery(1930-2020).





Outras menções ao elenco representando importantes da mitologia grega são: a Nancy Kovac na pele da Medeia, Gary Raymond como Acasto, Laurence Naismith(1908-1992) na pele do Argos, Niall MacGinnis(1913-1977) na pele do Zeus, Michael Gwynn(1916-1976) na pele do Hermes, Douglas Wilmer(1920-2016) na pele do Pélias, Nigel Green(1924-1972) na pele do Hércules, Patrick Trougton(1920-1987) na pele do Fineu, Jack Gwillim(1909-2001) na pele do Rei Eetes, John Cairney(1930-2023) na pele do Hilas e Andrew Faulds(1923-2000) na pele do Phalerus.




Apesar dos efeitos especiais se mostrar um tanto datado, pelo menos é uma produção que mostrava bem ter seu charme e sua qualidade de produção, ainda mais levando em conta que ele foi lançado no período em que as produções épicas monumentais históricas e de fantasia estavam entrando em declínio em Hollywood.




Principalmente depois do fracasso do filme Cleópatra(1963), estrelado pela estrela Elizabeth Taylor(1932-2011).

Portanto, essa produção reflete o começo da decadência do subgênero escapista dos filmes monumentais de fantasia em Hollywood e épicos históricos.


domingo, 12 de julho de 2026

A MÍTICA AVENTURA DE PERSEU

 

Aproveitando o clima para o lançamento do filme Odisseia, uma nova adaptação cinematográfica da clássica mítica obra de Homero.

Comento aqui sobre uma obra que explorou a jornada heroica mítica aventuresca desses heróis da antiguidade que Hollywood sempre explorou, dessa vez sobre Perseu em Fúria de Titãs (Clash of the Titans, Reino Unido, EUA, 1981).




Essa produção britânico-estadunidense inspirada no mito da jornada de Perseu contou com a direção do britânico Desmond Davies(1926-2021) e com roteiro de Berveley Cross(1931-1998), produção que contou novamente com um dedo de Ray Harryhause(1920-2013) para produzir os efeitos animado em stop motion, nesse que foi seu último trabalho para cinema. Ele já havia usado disso na produção de Jasão e os Argonautas (Jason and the Argonauts, Reino Unido, EUA, 1963) dirigida por Don Chaffey(1917-1990).




Contou em seu elenco com o americano Harry Hamlin como o protagonista  Perseu, com a britânica Maggie Smith(1934-2024), que para quem foi da geração infanto-juvenil que acompanhou a franquia do bruxinho Harry Potter(2001-2011) devem se lembrar dela como a Professora Minerva McGonaghall que em Fúria de Titãs representou a Ninfa Tétis, com a suíça Ursula Andress, famosa por fazer Honey Rider no primeiro filme da franquia 007 que foi 007 Contra o Satânico Dr. No(Dr. No, Reino Unido, 1962) que no filme representou o papel da Deusa Afrodite. Também há de mencionar os nomes de Laurence Olivier(1907-1989) que fez no filme o papel de Zeus e de Burgress Meredith(1907-1997) famoso pelo vilão Pinguim na série de TV do Batman nos anos 1960 e por viver o Mickey, o treinador de Rocky Balboa nos três primeiros filmes da franquia Rocky: Rocky:Um Lutador(1976), Rocky II(1979) e em Rocky III(1982) onde nesse último seu personagem morre, que em Fúria de Titãs representou o Ammom.




A maneira como o enredo foi estruturando a trama da jornada heroica de Perseu o torna fantástica, principalmente ao mostrar Perseu bebê sendo rejeitado pelo avô Rei Acrisio, vivido pelo veterano ator galés Donald Houston(1923-1991), e contando toda as aventuras e desventuras encarando os perigos de monstros, que foram bem criados nas movimentações em stop motion de Harryhause dentre outros pontos que tornam a obra fascinante.




Mesmo tendo ficado datado para os tempos de hoje, onde inclusive em 2010, foi produzido um remake que mesmo contando com os melhores efeitos especiais em 3D ainda assim ficou aquém dessa versão.





É uma obra que vale a pena dá uma assistida e aprecia-la pelo que ela representou e com o elenco de feras, além dos já mencionados, também vale a menção da presença da atriz Susan Fleetwood(1944-1995) representando Atena, ela era irmã mais velha do músico Mick Fleetwood membro da banda pop britânica Fleetwood Mac que fez sucesso nos anos 1970, cuja canção The Chain, do álbum Rumors de 1977 fez parte do repertório do filme Guardiões da Galáxia Volume 2(2017).




Só por isso que comentei, essa obra vale dá conferida para aprecia-la pelos seus valores de produção.

sábado, 27 de junho de 2026

30 ANOS SEM ALBERT BROCCOLI

 

No dia 27 de Junho de 1996, falecia o produtor de cinema americano Albert Romolo Broccoli ou como costumava assinar como Albert R. Broccoli(1909-1996) e também era referenciado como Cubby Broccoli.



Ele foi a principal figura que encabeçou a franquia James Bond da qual ele dedicou sua vida para isso.

Nascido em Long Island, Nova York em 1909, filho de imigrantes italianos, “Broccoli entrou na indústria do cinema com a ajuda de seu primo Pat DiCicco. Depois de servir na Segunda Guerra Mundial, ele formou uma parceria com o produtor Irving Allen* (1905-1987) durante a maior parte da década de 1950, produzindo vários filmes de sucesso na Inglaterra.

No início da década de 1960, ele uniu-se a Harry Saltzman(1915-1994) para comprar os direitos dos romances de James Bond, escritos por Ian Fleming(1908-1964). A dupla fundou a EON Productions e produziu nove filmes de Bond.




Broccoli dedicou muito tempo para a franquia a estabelecendo como uma marca desde que lançou seu primeiro filme que foi 007 Contra o Satanico Dr.No (Dr.No, Reino Unido, 1962), o primeiro estrelado por Sean Connery(1930-2020) e mesmo após ter rompido sua sociedade com Saltzman que ficou desapontado com o nono filme da franquia que foi 007 Contra o Homem com a  Pistola de Ouro(The Man with the Golden Gun, Reino Unido, 1974), o segundo a contar com Roger Moore no papel do agente com quem demonstrou não estar muito satisfeito.




Após esse rompimento, Broccoli passou a comandar a franquia a partir do terceiro filme da série 007 que foi   estrelado por Roger Moore, sendo cronologicamente o décimo da franquia que foi 007-O Espião que me amava(The Spy Who Loved Me, Reino Unido, 1977) e comandou essa marca até 007 Contra Goldeneye (1995) que marcou  o retorno da franquia 007  após um  longo  hiato de seis anos sem uma nova produção da série após 007 Permissão Para Matar(Licence to Kill, Reino Unido, EUA, 1989), muito disso se deve   em consequência das disputas judiciais que a  EON Productions enfrentou nos tribunais durante o começo da primeira metade da década de 1990  para conseguir permanecer com o direito exclusivo de propriedade intelectual de adaptação oficial  sobre a série 007, principalmente porque a MGM uma das parceiras da EON havia  decretado falência no final dos anos 1980, resultando assim na renúncia de Timothy Dalton do papel e ele sendo substituído por Pierce Brosnan como protagonista e marcou o último que ela contou com Albert R.Broccoli no comando da série  como produtor-executivo, ele veio  a óbito no ano seguinte.







Foi a partir de 007-O Amanhã Nunca Morre(Tomorrow Never Dies, Reino Unido, EUA, 1997) o 18º da franquia 007 que contou com a direção de Roger Spoottiswoode marcou  um novo ciclo para a série, onde a franquia passa a ser comandada pelos herdeiros de Brocolli,  no caso  Michael G. Wilson, seu enteado e sua  filha Bárbara Brocolli, nesta obra lançada um ano após Brocolli falecer vítima de um ataque cardíaco no dia 27 de Junho de 1996, na época já bastante idoso  com 87 anos o que já lhe dava sinais de uma saúde muito frágil. Ele ainda chegou a acompanhar a fase de pré-produção do filme, inclusive nos créditos finais eles prestam uma homenagem à memória de Broccoli com um pequeno texto.

E com o falecimento dele, pode-se dizer que a série 007 protagonizada por Brosnan durante o final da década de 1990 foi deixando de ter as características que remetiam aos filmes clássicos da série dos anos 1960. O único resquício que remetia a Era Sean Connery  era a presença do ator  Desmond LIewelyn(1914-1999) como o  excêntrico Q. a mente por trás das tralhas tecnológicas usadas por Bond em combate.

Até o momento em que escrevo esse texto, os novos rumos sobre a franquia visto que os irmãos Michael G.Wilson e Barbara Broccoli venderam para a Amazon Studios e desde o hiato que a franquia após o lançamento de 007-Sem Tempo Para Morrer(No Time to Die, Reino Unido, EUA, 2021) o último estrelado por Daniel Craig que o rumo sobre um novo filme da franquia é um tanto incerto.

Im Memoriam.

 

*Existe outro cineasta homônimo a este Irving Allen, mas, com uma grafia diferente. Com o w no lugar do v, estou me referindo a Irwing Allen(1916-1991) o cineasta exponente do cinema catástrofe entre os anos 1960 e 1970. Um outro fato curioso, é que o sobrenome desse segundo é mesmo de batismo, enquanto que do primeiro que esteve envolvido com Broccoli é nome artístico, o seu nome real era Irving Applebaum, e ele nasceu em Lemberg, região da Ucrânia que já pertenceu ao antigo Império Austro-húngaro.  Ele foi sócio de Broccoli em outra produtora Warwick Productions.

segunda-feira, 8 de junho de 2026

FILME DE CHAPLIN NA ABERTURA DE UMA TELENOVELA BRASILEIRA

 

Há 35 anos, no dia 20 de Maio de 1991, estreava na Globo a novela O Dono do Mundo(Brasil, 1991-1992).




Essa novela das oito escrita por Gilberto Braga(1945-2021) e com direção de Dennis Carvalho(1947-2026), enfrentou um baita problema para conquistar o público.












 Essa novela compunha a sua trilogia de corrupção que deu início com Vale Tudo(1988-1989) e que foi concluída com Pátria Minha (1994-1995). Uma trama pesada que estreou no mesmo dia que o SBT lançou a trama mexicana de Carrossel (Carrussel, México, 1989-1990).

Se tem uma coisa de interessante a se comentar sobre essa novela está na sua curiosa abertura que usava um famoso trecho de uma obra de Charles Chaplin(1889-1977).

Essa obra em questão trata-se de O Grande Ditador(The Great Dictator, EUA, 1940).

Superficialmente a gente tende a achar que esse é só mais um título da extensa filmografia do genial Chaplin, a ponto de não achar nada de diferencial.

Mas, ai é que está, essa obra marca o ponto de partida na carreira de Chaplin por marcar pela primeira vez  ele aparecer sem representar o seu famoso tipo O Vagabundo, que é a  tradução fiel de como no original ele é chamado de The Tramp visto que não tem nome, que dependendo da localidade há quem se referia a ele como Carlitos aqui no Brasil e no continente europeu de Charlot, um tipo maltrapilho com bengala e chapéu de coco  que simbolizava o retrato da figura do típico mendigo da realidade americana, simbolizando a representação da classe branca inferior chamada de White Trash*, que numa tradução seria de Lixo Branco.

A razão para isso é muito simples, Chaplin vendo a tendência inovadora que a indústria de Hollywood estava adotando com a inovação do cinema falado após o lançamento do filme O Cantor de Jazz(The Jazz Singer, EUA, 1927), e como o cinema mudo estava sendo visto como  ultrapassado.

Ele era contra a ideia do Vagabundo estrelar um filme falado, porque ele via que sua essência estava mais carregada para o humor físico silencioso, mimico, pantomímico, pastelão com toques teatrais e circenses. 

Se fizesse ele falar, faria o personagem perder o sentido, então ele que começou a representar o seu famoso personagem no curta-metragem Corrida de Automóveis para Meninos(Kid Auto Races at Venices, EUA, 1914) para os Estúdios Keystone, que contou com a direção e roteiro de Henry Lehman(1886-1946) e teve a produção assinada por Mack Sennet(1880-1960) que foi o responsável por lançar sua carreira no cinema, resolveu aposentá-lo no filme Tempos Modernos(Modern Times, EUA, 1936).

O filme que veio em seguida a Tempos Modernos foi O Grande Ditador, obra que marcou de mostrar além dele não apresentar mais como O Vagabundo, mas marcou também o ponto de partida dele estrelando um filme falado e que trouxe uma ousada abordagem de satirizar o modelo das ditaduras nazifascistas na Itália e na Alemanha naquele momento em que a Segunda Guerra Mundial entrava no seu segundo ano de conflito.

Através do humor, nós vemos, no que parece racional, o irracional. No que parece importante, o que não é. O humor eleva nosso senso de sobrevivência e nossa sanidade. Por conta do humor, somos menos afetados pelas vicissitudes da vida. Ele ativa nosso senso de proporção e nos revela que num exagero de seriedade se esconde o absurdo”.

(Chaplin).

Nessa produção onde Chaplin assumiu diversas funções: Foi diretor, roteirista, produtor e narrador, ele também protagoniza nesse filme dois papeis de homens muito fisicamente semelhantes, mas que não eram irmãos gêmeos, eram apenas sósias, com personalidades bem distintas uma da outra.

Um é o Adenoid Hynkel, o Ditador da fictícia Tomânia, uma alusão a Alemanha nazista governada por Adolf Hitler(1889-1945), o famoso e mitificado Fürher pelos alemães, palavra que na língua germânica significa líder, condutor.

Já o outro é um Babeiro Judeu, que começa a história lutando na Primeira Guerra Mundial como “um cadete do exército da nação fictícia da Tomânia e tenta salvar um soldado chamado Schultz (Reginald Gardiner). O personagem de Chaplin perde a memória assim que o avião dos dois colide com uma árvore.

Schultz escapa das ferragens, e Chaplin passa seus próximos vinte anos no hospital, enquanto muitas mudanças acontecem em Tomânia: Adenoide Hynkel(também interpretado por Chaplin), agora o grande ditador  da Tomânia, perseguia judeus com a ajuda dos ministros Garbitsch (Henry Daniell) e Herring (Billy Gilbert).

Curado, mas ainda com amnésia. Chaplin retorna à sua barbearia do gueto judeu, ainda sem saber da situação política da Tomânia. O barbeiro fica chocado quando tropas de choque quebram a janela de sua loja. Encontra, depois, um amor, Hannah, uma linda moradora do gueto.”

(Wikipédia).

Ao longo do filme, acompanhamos a jornada do Barbeiro Judeu, ao ser capturado pelos nazista, mas é impedido quando aparece seu velho companheiro Schultz, até o momento em que ocorre uma troca entre ele e Hynkel e ele assume o cargo de Hynkel numa estrutura que lembra o clássico literário de O Príncipe e o Mendigo do americano Mark Twain(1835-1910).

Hynkel tem como forte aliado, o líder da fictícia Bactéria, uma sátira a Itália Fascista, que é Benzino Napaloni(Jack Oak) em alusão a Benito Mussolini(1883-1945), referenciado pelos italianos como Duce, que significa líder.

Foi desse filme de comédia dramática sobre sátira política e social ao contexto histórico da Segunda Guerra Mundial que saiu um trecho que foi usado na abertura da novela O Dono do Mundo, o trecho especificamente tratava-se da cena mostrando Hynkel fazendo uma coreografia com a bola representando o globo terrestre com aquele desejo mirabolante de querer dominar o mundo. Algo que foi bem encaixado a proposto do título que remetia ao crápula do protagonista Felipe Barreto(Antônio  Fagundes), um rico e brilhante  médico  mau-caráter com seu perfil egocêntrico de se achar o dono do mundo.

Para a abertura da novela que contou com um dedo do designer Hans Donner, um germânico-austríaco naturalizado brasileiro que àquela altura já desenvolvia seus trabalhos artísticos para a emissora fazia vinte anos, ele junto com sua equipe criaram a sobreposição de imagens de mulheres sensuais sobre um globo na famosa sequência do filme O Grande Ditador, de Charles Chaplin, em que seu personagem emulava Hitler brincando com um globo.”

(TELEDRAMATURGIA)

 

“Ao som da canção 'Querida', de Tom Jobim(1927-1994), a abertura mostrava a cena do filme O Grande Ditador em que Charles Chaplin, no papel do personagem Hynkel, dança com um globo terrestre, numa sátira a Adolf Hitler. A cena foi modificada eletronicamente com a inserção de belas mulheres no globo.”   

(MEMÓRIA GLOBO)

Essas belas mulheres que apareciam no globo terrestre eram colorizadas, enquanto que o filme mesmo era mantido em preto e branco.

Uma tarefa complicada e complexa de ser executada, principalmente ao se tratar das demoradas negociações envolvendo os direitos autorais da obra e fora o trabalhão que foi inserir diferentes mulheres fazendo poses sensuais em diferentes quadros dentro do globo, mesmo contando com os recursos tecnológicos mais avançados para a época que se tinham para isso ser realizado.

“Os direitos sobre o filme demoraram para sair. Hans Donner chegou inclusive a gravar uma abertura alternativa em que o modelo Beto Simas fazia as mesmas ações de Chaplin no filme. Porém, ao final, a versão original foi liberada com os direitos sobre as imagens cedidos diretamente a Hans Donner.
“Para usar o filme, descobri quem era o chefão da distribuidora. Por sorte, ele viu uma exposição minha em Londres e gostava do meu trabalho”, revelou Hans a Flávio Ricco e José Armando Vannucci para o livro “Biografia da Televisão Brasileira”.
Os direitos de reprodução do filme foram cedidos por sua detentora exclusiva na época, a distribuidora Filmverhuurkantoor “De Dam” B. V. (de acordo com os créditos do encerramento da novela).

Para a versão de exportação da novela, foi exibida uma terceira abertura, em que o globo, no qual apareciam as mulheres, passeava pela galáxia – sem a participação de Chaplin ou referência ao filme.”

(TELEDRAMATURGIA).

Pelo que Hans Donner comentou na matéria do jornal O Globo, escrita por Pedro Só em 22 de Maio de 1991 sobre as inserções das imagens no globo para a abertura da novela:

“Só podíamos inserir as imagens no espaço ocupado pela bola colocando-as nas 50 posições de sua trajetória em um segundo e meio. Mais do que isto seria um número muito alto de informações para a máquina. “

(Trecho extraído do blog TV Baú postado em Setembro de 2014).

Sobre essa produção, ela além de ser estrelada pelo próprio Chaplin, é também estrelada por Paulette Goddard(1910-1990), uma das atrizes com quem Chaplin foi casado representando a Hannah, o grande amor do Barbeiro Judeu, Jack Oakie(1903-1978) na pele do ditador Napaloni da Bactéria, cujo sobrenome traz uma referência histórica a Napoleão Bonaparte(1769-1821), o temido Imperador da França no século 19, Carter DeHaven(1886-1977) como o Embaixador da Bactéria, Henry Daniel(1894-1963) como Garbitsch e Billy Gilbert(1894-1971) como Herring,  que são os ministros de Hynkel que com certeza deve fazer uma sátira aos ministros nazistas de Hitler que foram os figurões do alto escalão do Governo Nazista na Alemanha que tiveram entre seus nomes: Joseph Goebbels, Hermman Göring, Heinrich Himmler, Wilhelm Frick, Albert Sper e Joseph Von Ribbentrop. 

Também mencionar a participação de Reginald Gardner(1903-1980) como o Schultz e de Maurice Moscovich(1871-1940), esse ator russo-americano, nascido em Odessa na Ucrânia quando a região pertencia ao Império Czarista da Rússia no berço de família judia asquenazes. Ele que já tinha residência fixa nos Estados Unidos desde 1897, foi em solo americano que ele construiu uma sólida carreira teatral estrelando para sua comunidade falando em iídiche, fez pouco cinema e essa produção onde ele representou o Senhor Jaeckel, um senhor judeu que era inquilino da barbearia marcou a última de sua carreira, ele faleceu aos 68 anos.

Um fato curioso, é que na obra é mencionado outro pais fictício que é Osterlich que faz referência a Áustria.

Na abertura do filme eles esclarecem com um texto que diz assim:

Qualquer semelhança entre Hynkel, o ditador, e o barbeiro judeu é mera coincidência.

Esta é a história de um período entre duas Guerras Mundiais – um interlúdio em que a insanidade se alastrou. A liberdade entrou em colapso e a humanidade foi duramente atingida.”

Essa obra de mensagem crítica foi lançada antes dos Estados Unidos mandarem suas tropas para combaterem contra os nazistas na Europa, isso só aconteceu depois do ataque a Pearl Harbor em 7 de Dezembro de 1941.

Na época em que foi lançada chegou a receber acusações de apologia ao comunismo por sua mensagem crítica ao nazismo já que os Estados Unidos até então carregavam uma postura aliada de Hitler, chegou a receber 5 indicações no Oscar de 1941, mas não ganhou nenhuma.

É curioso imaginar que na obra, o Barbeiro Judeu mais parece agir muito como O Vagabundo, a ponto de muita gente equivocadamente pensar que essa obra foi a última com o personagem.

A cena final do Barbeiro Judeu agindo como Hynkel indo em direção ao púlpito para falar ao povo com seu discurso de mensagem pacifista é o que torna a obra indispensável e sempre atualizada, ainda mais pela forma como ele quebra a quarta parede ao se dirigir ao público que esteja assistindo:

Sinto muito, mas não pretendo ser imperador. Não é esse o meu ofício. Não pretendo governar ou conquistar ninguém. Gostaria de ajudar judeus, gentios, negros, brancos. Todos nós desejamos ajudar-nos uns aos outros. Seres humanos são assim. Queremos viver para a felicidade do próximo e não para seu infortúnio. Não desejamos odiar ou desprezar. Neste mundo há espaço para todos. A Terra é rica e pode prover a necessidade de todos. O caminho da vida pode ser livre e lindíssimo, porém perdemos o rumo. A ganância envenenou nossas almas, levantou muralhas de ódio, fez-nos chegar a miséria e ao derramamento de sangue. Desenvolvemos velocidade, mas isolamos uns dos outros. A maquinaria que nos poderia dar abundância deixou-nos na penúria. Os nossos conhecimentos tornaram-nos cépticos e cruéis. Pensamos demais e sentimos de menos. Mais do que máquinas, precisamos de humanidade. Mais do que inteligência, precisamos de compaixão. Sem estas virtudes, a vida será violenta. A aviação e o rádio aproximaram-nos. A própria natureza dessas coisas apela a bondade, apela a fraternidade universal para sermos todos um. Neste mesmo instante a minha voz chega a milhões em todo mundo, milhões de homens, mulheres e crianças desesperadas, vítimas de um sistema que põe homens a torturar e encarcera inocentes. Aos que me ouvem, eu digo: Não desespereis. A nossa desgraça é simplesmente o último suspiro da ganância. A amargura de homens que temem o progresso humano. O ódio dos homens desaparecerá, e os ditadores sucumbirão, e o poder que arrebentaram ao povo regressará ao povo. Enquanto morrem os homens, a liberdade nunca perecerá. Soldados! Não vos entregueis a esses desalmados. Homens que vós desprezam e escravizam, que controlam as vossas vidas! Que vos ditam o que fazer, pensar e sentir! Que vos condicionam, que vos tratam como gado e se servem de vós como carne para canhão! Não vos entregueis a esses desumanos, homens-máquinas com mentes de aço e corações de pedra! Não sois máquinas! Não sois gados! Homens é sois! E levam o amor a humanidade nas vossas almas!  Não odieis! Só odeiam os que nunca foram amados. Os mal-amados e os desumanos. Não batalheis pela escravidão! Lutai pela liberdade! São Lucas escreveu: “O Reino de Deus está dentro do homem. Não de um só homem, mas de todos os homens! Em vós! Vós, o povo, tendes o poder! De criar máquinas, de criar felicidade! Tendes o poder de tornar esta vida livre e bela, de fazer uma aventura maravilhosa! Então em nome da democracia, usemos esse poder! Unamo-nos! Lutemos por um mundo novo. Um mundo que assegure a todos a oportunidade de trabalho, que dê futuro a juventude e segurança a velhice. Com tais promessas, os desalmados subiram ao poder.  Mas eles mentem. Esses não cumprem as suas promessas! Os ditadores libertam-se mas escravizam o povo! Lutemos agora para cumprir essas promessas! Lutemos para libertar o mundo, abater as fronteiras nacionais, pôr termo a ganância, ao ódio e a intolerância. Lutemos por um mundo de razão, um mundo no qual a ciência e o progresso conduzam a felicidade de todos nós. Soldados! Em nome da democracia, unamo-nos! 

A última frase é dele se dirigindo a Hanna:

“Hannah, está me ouvindo? Onde quer que esteja, olhe para cima! Olhe para cima, Hannah! As nuvens estão subindo, o Sol está abrindo caminho! Estamos fora das trevas, indo em direção à luz! Estamos indo para um novo mundo; um mundo mais feliz, onde os homens vencerão a ganância, o ódio e a brutalidade. Olhe, Hannah!”

A cena final é de Hanna olhando para cima com um sorriso no rosto.

Pode-se concluir diante disso tudo que essa obra ela é muito relevante para entender principalmente o mundo atual e seu medo do novo modelo de fascismo propagando com as novas tecnologias.

*Termo pejorativo de cunho socioeconômico usado nos Estados Unidos para definir pessoas brancas de baixa renda que vivem na pobreza. Que são vista pela abastada elite supremacista branca como gente inferior. Esse termo surgiu “na década de 1830 e era usado por aristocratas brancos e escravos negros para se referir aos trabalhadores brancos das plantações do Sul ou aos pequenos agricultores brancos.”(Wikipédia). São frequentemente representados de forma estereotipada beirando ao caricato como gente rude, grosseira, rústica, sem modos vivendo em moradias precárias como trailers, por exemplo. Alguns exemplos de personagens que simbolizam o tropo narrativo do lixo branco no cinema hollywoodiano são: Rocky Balboa da franquia Rocky(1976-2006), já que no primeiro filme mostra a vida pobre dele num xexelento apartamento periférico e devendo aluguel, Travis do filme Táxi Driver(1976) mostra também simbolizar esse exemplo de lixo branco já que ele  é um taxista e é o fio condutor da narrativa em ser nosso guia em  mostrar por meio de sua corrida diária de táxi uma Nova York consumida pelo caos urbano e mora num muquifo, Tony Montana do filme Scarface(1983) também simboliza essa representação ainda mais ele sendo um imigrante cubano que se enriquece com o tráfico de drogas e mesmo ostentando luxo, ainda assim carrega um mal gosto, sendo visto como brega. Principalmente pela ótica da Elvira, sua classuda amada que mostra carregar bem uma herança aristocrática.   Outros exemplos são:  Vivian Ward protagonista do filme Uma Linda Mulher(1990) também simboliza esse tropo narrativo do white trash simbolizando aqui essa figura feminina de beleza atraente de cunho sexual, ainda mais sendo ela uma prostituta. Em contraponto, outro exemplo feminino de representação do tropo narrativo do White Trash é Andrea Zuckerman uma das protagonistas da clássica série dramática juvenil dos anos 1990 Barrados no Baile (Bervely Hills, 902010, EUA, 1990-2000) onde ela com seus óculos de intelectual estudando num colégio de elite onde comandava um jornalzinho que contava com Brandon como seu colaborador, escondia que morava num bairro pobre suburbano. Por fim, outro exemplo desse tropo narrativo do White trash explorado tanto no cinema quanto na televisão é o personagem do Mark Shultz, protagonista do filme Foxcatcher(2014) ainda mais sendo inspirado na história real do lutador de luta livre, medalhista olímpico que no primeiro momento do filme mostra ele vivendo num muquifo até receber um telefonema do dono da equipe Foxcatcher, o excêntrico milionário John Du Pont(1938-2010) para treinar e morar numa das hospedagens de sua fazenda onde ele leva consigo seu irmão Dave Shultz(1959-1996). Mark sentindo a estranheza e as esquisitices de DuPont resolve deixar a equipe e seu irmão Dave permanece até o momento de sua trágica morte precoce aos 36 anos, onde foi covardemente assassinado a tiros por DuPont na gélida manhã invernal de 26 de Janeiro de 1996. DuPont foi preso logo em seguida e foi sentenciado a prisão perpetua a qual cumpriu até o seu falecimento em 2010.