terça-feira, 24 de dezembro de 2024

FILMES QUE SE PASSAM NO NATAL, MAS NÃO SÃO NATALINOS

 

Chega dezembro, época natalina é aquele momento em que a família reunida em casa com uma ceia farta e quem sabe para acompanhar na televisão aos filmes natalinos.  Se bem que nem todos apesar de ambientarem na festa  natalina, são tão filmes natalinos assim.

Para entender melhor separei alguns  exemplos:



007-A Serviço Secreto de sua Majestade(1969)




O exemplo mais antigo dessa lista é um filme da franquia 007, que marca o único estrelado por George Lazenby. E contou com a direção de Peter Hunt(1925-2002).

Sempre que você ouve  a menção de mais um filme estrelado pelo espião James Bond, com certeza a primeira impressão que fica é de  mais um filme mostrando a jornada heroica do espião com licença para matar irá enfrentar mais uma ameaça  mirabolante, dessa vez contra a Spectre comandada pelo Ernest Stravo Blofeld representado nesse filme por Telly Savallas(1922-1994), o mesmo que protagonizaria a série de TV Kojak(EUA,1973-1978).

Dificilmente você vai imaginar esse filme como natalino, apesar do seu mote ser ambientado na época do Natal, principalmente quando o protagonista vai a Suíça se infiltrar na Base da Spectre que deixa evidente a data natalina pelas árvores de natal.  E quando ele fica encurralado e o povo na rua vibrando com o clima festivo natalino. É bem nesse nível.

 

     Love Story-Uma História de Amor(1970)



      Outro exemplo mais antigo aqui da lista, quando você ouve menção a esse clássico filme  romântico-dramático que contou com a direção de Arthur Hiller(1923-2016), com certeza a assimilação é a jornada da história de amor do casal protagonista enfrentando obstáculos da rejeição do pai do rapaz que é de família abastada que é apaixonado por uma moça humilde que lida  com uma grave doença que a leva a morte. Mas dificilmente você se dá conta de que o enredo ocorre em plena época natalina.

 

        Rambo-Programado para matar(1982)





   A primeira coisa que a gente pensa quando se  menciona  em um filme de Rambo é tiro, porrada e bomba, ainda mais  sendo estrelado por Sylvester Stallone que figurava como o astro brucutu dos filmes de ação dos anos 1980.

Nesse primeiro filme da franquia de Rambo que foi inspirado no livro First Blood do americano David Morrell publicado em 1972, cuja inspiração  foi  no drama dos soldados veteranos do Vietnã que ao retornarem para o país eram vistos como párias da sociedade e tinham que lidar com o problema de saúde mental ocasionando pelo conflito.

No filme, cujo roteiro foi adaptado pelo próprio Stallone junto de Michael Kozoll e
William Sackheim(1919-2004) e contou com a direção do canadense Ted Kotcheff.

 Pelo que pude pesquisar do livro que eu ainda não li, mas está para ganhar em 2025 uma nova edição em português no Brasil  é que no livro o nível descritivo da violência ela é mais extrema do que em comparação ao que vimos no filme  que explora o nível mais brutalmente  gráfico da violência.

No livro, ele explora mais nuances complexas do personagem lidando com o trauma psicológico da Guerra do Vietnã, o Rambo dos livros se mostra mais brutal e mais perturbador  do que foi mostrado no filme, fora que também no livro ele trabalha a interação de  Rambo com outros personagens importantes no filme.

Só para citar alguns exemplos: O  Xerife Will Teasle na cidade de Hope que no filme foi bem defendido pelo saudoso Brian Dennehy(1938-2020) com uns toques bem vilanescos de crueldade para perseguir o protagonista. O que já  no livro ele demonstrava carregar uma maior  profundidade por ser uma pessoa que enfrentava uma separação e tinha sido combatente da Guerra da Coréia e o Coronel Samuel Trautman que foi representado no filme pelo também  saudoso Richard Crenna(1926-2003) no livro ele não mantinha um forte vínculo paternal com Rambo  como o filme procurou transparecer e ele acaba o matando no final do  livro, coisa que chegou a ser reproduzido no primeiro corte do filme, mas depois da exibição teste que foi rejeitado, o final precisou ser reescrito visto que eles ali viam um bom potencial do Rambo pode virar uma franquia, ainda mais que Stallone na ocasião já era visto como o nome mais rentável para Hollywood. O que transformou Rambo numa icônica figura heroica do cinema de ação dos anos 1980.

Pois bem, toda a situação da perseguição da polícia local a Rambo ocorre bem na época do natal.

A gente pode perceber isso pelas decorações natalinas  que aparece na delegacia onde Rambo é mantido preso e em lugares da pacata cidade que teve sua tranquilidade interrompida pela sua presença indesejável.

Justamente por esse motivo, é que esse filme figura na minha lista.

   

        

 

 

      Rocky IV(1985)



      Outro filme seguido da lista também estrelado por Stallone. Quando a gente  ouve a menção de mais um filme da franquia Rocky, com certeza você vai esperar mais um filme mostrando o lutador Rocky Balboa, protagonizado por Sylvester Stallone que também assume a função de diretor e roteirista no filme, encarando mais um desafio com um adversário no ringue.

       E dessa vez será contra o Ivan Drago(Dolph Lundgren), o lutador da União Soviética naquele clima pesado de Guerra Fria.  O que talvez ninguém perceba é que a data que Rocky Balboa escolhe  para enfrentar Drago,  em seu  país natal depois de vê-lo assassinar seu amigo no ringue Apollo Creed vivido pelo saudoso Carl Weathers(1948-2024) é no dia 25 de Dezembro, portanto, dia do Natal. 

       Justamente por isso, é que o filme figura na minha lista dos filmes que se passam no Natal, mas não são natalinos.

 

 

 

 

Duro de Matar(1988)




Quando você ouve a menção desse clássico filme de ação dos anos 1980 com certeza lhe vem à cabeça muito tiro, porrada e bomba e é essa impressão que temos sobre o filme Duro de Matar que contou com  a direção de John McTiernan.

Principalmente vendo o policial  John McClane(Bruce Willis) enfrentando sozinho um grupo de terroristas comandado pelo alemão Hans Gruber vivido pelo britânico Alan Rickman(1946-2016) que quem foi da geração que acompanhou a franquia do bruxinho Harry Potter(2001-2011) deve se lembrar dele como o sinistro Professor Severo Snape.

Onde nesse filme, ele  mantém pessoas que trabalhavam num prédio de uma empresa onde quem trabalhava era Holly McClane(Bonnie Bedelia), esposa do John McClane.

Sendo que o todo o mote desse filme, ocorre justamente na época do natal.

 

 

Batman-O Retorno(1992)



Em se tratando de um filme estrelado pelo icônico herói dos quadrinhos da DC Comics, o que nos vem à cabeça é mais um filme mostrando o herói defendendo sua cidade de Gotham Citty de uma ameaça criminosa. Dessa vez dupla, contra o Pinguim(Danny DeVitto)  e a Mulher-Gato(Michelle Pfeiffer), fazendo Gotham parecer um zoológico.

Nesse filme dirigido pelo renomado Tim Burton, é toda ambientada em plena época natalina, por mais estranho que possa parecer. Principalmente pelo fato da gente observar as decorações natalina numa Gotham nevada pelo clima invernal, que é uma característica típica  do americano. Justamente por isso é que esse filme figura na minha lista.

 

O Estranho Mundo de Jack(1993)



A primeira impressão que temos quando nos deparamos com O Estranho Mundo de Jack é  de uma animação medonha de terror  para se dizer o mínimo, especialmente quando a gente se depara com personagens com aparências grotescas e comportamentos bizarros vivendo em local sinistro que é a Cidade do Halloween.

Porém, no decorrer da história mostra o protagonista Jack indo para a cidade do Natal tentando trazer o clima natalino ali dentro.

Essa animação em stop motion contou com a direção de Henry Selick e com a produção executiva do Tim Burton. Sobre este, um fato curioso que chama a atenção é que equivocadamente as pessoas tendem a creditar a direção desse filme ao Tim Burton, muito disso se deve em virtude da estética do filme carregar muito da assinatura autoral do Tim Burton por abordar uma temática de terror em animação stop motion, cujo design pavoroso dos personagens com um clima sombrio faz remeter o estilo excentricamente peculiar do diretor com seus toques mais góticos.

A primeira impressão que fica é um filme de terror, mas que se passa no Natal.

 

 

De Olhos Bem Fechados(1999)




Esse filme póstumo do  renomado cineasta Stanley Kubrick(1928-1999) é um filme cujo mote aborda o  complicado drama da  crise no casamento dos protagonistas Bill e Alice vividos pelo então casal 20 de Hollywood Tom Cruise e Nicole Kidman.

O filme traz uma abordagem com classificação para maiores de 18 anos por apelar de erotismo, e isso a gente pode notar desde o começo mostrando o casal protagonista peladões após fazerem sexo e mostrando Bill vagando pelas ruas a noite após brigar com Alice a procura de qualquer mulher para realizar suas fantasias eróticas que termina  pelo acaso descobrindo  por meio de seu amigo uma mansão que promove orgias com o povo todo mascarado.

Mas o que a gente não percebe, é que sutilmente todo o mote da trama é ambientado durante as festividades do natal. Principalmente quando a gente em cada momento com as decorações natalinas em diferentes cenas.

 

O Impossível(2012)



Dificilmente alguém ao ouvir menção desse filme catástrofe que é inspirado na história real da família espanhola Bélon que foram passar férias na Tailândia durante as festividades natalinas de 2004, nos dias que antecederam ao fatídico Tsunami que ocorreu ali no dia 26 de dezembro e destruiu o país, onde a gente acompanha a jornada da  família toda separada pelas ondas tentando procurarem seus respectivos paradeiros. Nessa produção hispânico-americana que contou com a direção do Juan Antonio Bayona.

 

 

Homem de Ferro 3(2013)



Já o último exemplo da lista trata-se de Homem de Ferro 3, terceiro  filme da franquia do Vingador Dourado da Marvel Studios, que contou com a direção de Shane Black.

Assim como a exemplo do Batman, que por ser um super-herói a gente espera vê ele encarar mais uma ameaça mirabolante desta vez do terrorista Mandarim(Ben Kingsley) enviando os Extremix para provocar destruição em massa.

Esse evento do mote da narrativa ocorre durante o Natal, ainda mais  quando a história se inicia apresentando na premissa Tony Stark(Robert Downey Jr.)curtindo o Réveillon de 1999 na Suíça  com ele interagindo com duas pessoas que vão ter importância para a narrativa: O doutor Aldrich Killian(Guy Pearce) e Maya Hansen(Rebecca Hall) de quem indiretamente ele entrega a formula para criar o exercito dos extremix e era a pessoa real por trás do Mandarim que não passava de um ridículo fantoche de Killian. O que por esse motivo torna o filme o mais odiado até hoje.

Bom termino por aqui minha lista.

Desejo a todos independente  da religião até mesmo aos ateus, um Feliz Natal.

segunda-feira, 16 de dezembro de 2024

FILME NATALINO DO EXCÊNTRICO ERNEST

 

Alguém lembra de já ter conhecido em um momento da vida,  um excêntrico sujeito  e com parafuso solto chamado  Ernest Powertools Worrell, melhor dizendo Ernest P. Worrell?





Trata-se de um personagem fictício representado  pelo saudoso Jim Varney(1949-2000).

Ele foi criado nos anos 1980, por uma agência de publicidade de Nashville, chamada Carden And Cherry, primeiro para protagonizar comerciais de grandes marcas até ganhar a popularidade da televisão e do cinema, estrelou ao todo onze ou mais  filmes.

E o filme que escolhi   comentar aqui em questão para entrar no clima natalino   trata-se de O Natal Maluco de Ernest(Ernest Saves Christmas, EUA, 1988).




 

O segundo longa-metragem  estrelado pelo personagem Ernest P. Worrell, que no ano anterior estrelou A Trilha do Bravo(Ernest to the Camp, EUA, 1987).

Eu cheguei  a ver esse filme apenas uma vez quando passou se não me falhe a memória  na Rede Globo na época natalina.




Ao dar um revisitada anos depois justamente nessa época natalina pelo Youtube verifiquei que o filme continuava engraçado e divertido, e até envelheceu bem, não deixando transparecer que tenha ficado datado, mesmo apresentado umas situações que beiravam ao nonsense.

Mas enfim, já comentando a respeito do enredo do filme,  ele gira em torno do Papai Noel(Douglas Seale) chegando a Flórida para encontrar alguém que ele escolheu para  substituir na sua função, já que a cada 100 anos, ele precisa arranjar um sucessor.




É nesse momento que o atrapalhado  Ernest P.Worrell(Jim Varney) aparece na sua vida como taxista no aeroporto para lhe dar carona e levar a pessoa que ele escolheu para a função Joe Carruthers(Oliver Clark), uma celebridade local.  

Durante o trajeto da carona que Ernest dá ao Papai Noel direcionado ao local que Joe está trabalhando que é numa entidade fazendo teatrinho de fantoches para as crianças do lugar.

Aparece uma jovem delinquente chamada Harmony(Noelle Parker), que estava fugindo do dono de um restaurante do qual ela não queria pagar e entrar de gaiata no táxi de Ernest.




E ao entrar no seu  táxi, ela vai acompanhar toda a louca jornada de Ernest e do Papai Noel, onde ao longo do desenrolar da história quando  o Papai Noel perde o seu saco.

E muitas confusões vão rolar como costuma descrever o locutor da Globo para as chamadas de filmes na Sessão da Tarde, principalmente com relação as comédias onde Joe fica reticente em aceitar a função de ser Papai Noel, muito  pela pressão do seu agente  ao força-lo a aceitar representar o Papai Noel num filme de terror, as renas aparecem na alfandega do aeroporto, onde uma  desajustada dupla que cuida de lá olha para as renas sem saber o que fazer.

Harmony  rouba o saco do Papai Noel com os presentes, tenta fugir com eles, mas depois se arrepende e os devolvi, até finalmente as coisas serem concluídas com o final feliz de Joe resolvendo  aceitar aquela missão e com a ajudinha de Ernest o Natal vai finalmente ocorrer com as entregas dos presentes.




O filme contou com a direção de John R. Cherry III(1948-2022), o criador do Ernest, inspirado numa pessoa próxima a ele que seu pai o apresentou que parecia ser muito inteligente dizendo saber de tudo, mas no fundo não sabia de nada,  era medíocre como o Ernest.

Ele dirigiu todos os filmes que o personagem apareceu  representados  desde o primeiro que  foi num filme coletivo intitulado Knowhutimean? Hey Vern, It's My Family Album(EUA, 1983)  uma reunião de curtas-metragens de comédia, onde ele ainda não era a estrela principal e também o dirigiu  em Dr.Otto e o Enigma do Raio Tenebroso(Dr. Otto and the Riddle of the Gloom Beam, EUA, 1985), onde o Ernest  também não era o principal.




Só virou o principal em A Trilha do Bravo, que passou a criar uma enorme franquia em torno do personagem que foi muito bem representado por Jim Varney que nesse filme natalino estrelado pelo seu famoso tipo, mostrou um talento incrível para incorporar em cena, maneirismos bem característicos de humor físico ao personagem, principalmente no tanto de caretas que ele faz  em cada momento absurdo quando  envolvem muitos acidentes de percursos no caminho. Imprimindo bem ao personagem um perfil serelepe, e um tanto hiperativo e até com certa irreverência. Ele conseguia  tornar o personagem agradável, ainda que em alguns ele se mostrasse um tipo todo atrapalhado.

Cherry ainda dirigiu outros filmes estrelados pela sua criação, representados por Varney uns até lançados diretamente para Home Video, quem  tem mais de trinta anos como eu deve se lembrar das fitas VHS.




Pois bem, Cherry só parou de fazer filmes protagonizados pelo Ernest  depois que seu interprete Jim Varney veio a óbito no dia 10 de Fevereiro de 2000, vítima de um câncer aos 50 anos, deixando dois trabalhos póstumos lançados  em 2001 que foi na animação da Disney Atlantis:O Reino Perdido (Atlantis: The Lost Empire, EUA, 2001) onde deu voz ao velho Jebidiah e no filme Tudo em Família (Daddy and Them, EUA, 2001).

Quanto ao seu criador, Cherry  passou os últimos anos enfrentando uma dura batalha contra o Mal de Parkinson até falecer no dia 08 de Maio de 2022 aos 73 anos.





Um dos pontos mais interessantes que posso destacar do ótimo trabalho de direção que  Cherry apresentou nesse filme, está no plano sequência de uma cena  mostrando Ernest acompanhado da Harmony invadindo a casa de um amigo chamado Verny,  para deixar um pinheiro que ele cortou de uma estrada e presenteá-lo como uma árvore de natal.

A forma como ele  demonstra a sensação do Verny ficando incomodado com a sua presença indesejada, mesmo não mostrando a cara, com Ernest  olhando para a câmera representando o olhar de Verny em primeiríssimo plano, com Ernest quebrando a quarta parede onde consegui transmitir bem  ao espectador  a sensação do Verny ficando incomodado  com aquela situação desagradável da sua visita. Ainda mais quando ele vê o Ernest sem a menor cerimônia pegando um jarro de refresco para beber sem pedir sua permissão.

Além de contar com Jim Varney como protagonista cuja representação como já descrito nos primeiros parágrafos foi sensacional.





O elenco também contou  dentre os principais nomes a serem mencionados com o britânico e também saudoso Douglas Seale(1913-1999), que no filme representou bem o Papai Noel, personagem de muita relevância para a história, ainda mais  que como  o seu mote  aborda a temática natalina. Pois é ele quem assume a função de ser o pilar   central na narrativa, mesmo o protagonismo sendo do Ernest.

Oliver Clark faz uma representação esplêndida do Joe Carruthers, personagem que também se destaca na narrativa e de muita importância, já que ele é o motivo principal da jornada do Papai Noel de passar o bastão para ele a sua função de Papai Noel.

Noelle Parker representando na pele da Harmony, uma jovem descolada com ares um tanto malandrinha e meio delinquente também se destaca pelo bom desempenho ao papel dela que entra meio de gaiata na louca aventura do Ernest e do Papai Noel. Uma curiosidade sobre essa atriz é que ela faz aniversário no dia 25 de dezembro, uma coincidência ela participar de um filme natalino e seu nome remeter ao Natal.  

Também mencionar as participações  de Gailard Sartain e Bill Bryge que fazem um brilhante  desempenho na pele da dupla Chuck e Bob, explorando bem essa subtrama, que cuidam da alfandega no aeroporto e ficam abismados olhando saírem as renas do Papai Noel  de umas estranhas caixas.

Gailard Sartain é o que mais se destaca pelas movimentações que faz dos olhos, mostrando o quão espantado ele fica com aquela situação. Tentam chamar a polícia ambiental para tirarem as renas de lá, que desistem depois de verem as renas pregadas no teto de cabeça para baixo.

 Até finalmente aparecerem os duendes e o Ernest para salvar o dia comandando o trenó com as renas e se dirigirem ao Papai Noel e Joe.   

E quando o Ernest aparece com as renas, ele faz uma quebra de quarta de parede dando uma risada para a câmera e  dessa forma vemos uma conexão com o título original que é Ernest Saves Christmas, algo como Ernest Salva o Natal, cuja adaptação para o português BR  imprimiu um toque mais engraçado para enfatizar que o natal comemorado com um sujeito com um perfil do Ernest não seria mesmo nada normal.

Dessa forma, posso concluir que revisitar O Natal Maluco de Ernest durante as festividades  natalinas de 2024 foi uma experiência muito gratificante.

sábado, 14 de dezembro de 2024

A ANIMAÇÃO OS DOZE TRABALHOS DE ASTÉRIX(1976)

 

Outro dia conferi pelo acaso na Amazon Prime Vídeo ao filme animado Os Doze Trabalhos de AsterixLes Douze Travaux d'Astérix,França, 1976) inspirada no famoso herói gaulês das  histórias em quadrinhos criado em 1959 na revista Pilote  pela dupla  René Goscinny(1926-1977) e Albert Uderzo(1927-2020) que são os diretores desse filme. Onde Uderzo também colaborou como roteirista ao lado de Pierre Watrin(1918-1990) e codirigido por Pierre Tchernia(1928-2016).




Livremente inspirada na saga mítica do herói semideus grego Héracles que com a dominação do Império Romano eles passaram a adotar um culto aos deuses gregos modificando seus nomes e Héracles virou Hércules e foi daí que  originou  a saga  dos Doze Trabalhos de Hércules.

É bom deixar claro que quando Hércules surgiu nos tempos da Grécia Antiga, foram nos lendários relatos orais que foram se espalhando até surgirem artistas como artesãos que começaram a criar gravuras e esculturas de Hércules e   escrivães que começaram a redigir poemas  em pergaminhos.





 Esses mesmos  que  séculos depois quando um inventor alemão chamado  Johanes Guthemberg(1400-1468) inventou a máquina da prensa no século 15, e deram  origem as publicações dos livros e os antigos textos em pergaminhos escritos no grego arcaico foram sendo traduzidos é que foram sendo difundidos. É bom lembrar que na Grécia Antiga ainda não havia esse negócio de direitos autorais.

Portanto, a história do mítico herói Hércules já  era de domínio público muito antes de existir o conceito de direito autoral.





 

Na obra para quem gosta  do estilo peculiar de humor de  Astérix que satiriza o herói resistente a invasão romana na Gália, onde aqui mostra ele  tendo esse desafio proposto pelo Imperador Júlio César.

Ao longo da narrativa acompanhamos Astérix acompanhado de seu inesperável parceiro glutão Obélix cumprindo o desafio das Dozes Tarefas sugeridas por Júlio César inspirado na saga de Hércules como o próprio se mostra autoconsciente disso.

Eles enfrentaram cada desafio que vão testá-los física e psicologicamente enfrentando cada um  que vão desde um veloz corredor romano, um combate com gladiador germânico, se alimentarem num  restaurante cheio de comida farta onde de hora em hora  é servido diferentes pratos, a sedução das atraentes ninfas em sua ilha, encarar um prédio burocrático dentre outros dos mais pitorescos que se pode imaginar com aquele característico humor cartunesco das obras de Astérix.

Um dos  fatos curiosos a se comentar sobre essa animação é que ele carrega como característica o fato de ser o único  filme fosse em animação ou mesmo em live action adaptado de Astérix cuja história foi originalmente criada para o filme, Goscinny e Uderzo não pegaram de nenhuma história antes publicadas  por eles em papel impressos  que o  adaptaram para cinema.

Do mesmo jeito que também foi a única a animação de Astérix  produzida  pelo Stúdio Idéfix,  fundada em 1974, por seus criadores Goscinny e Uderzo, que anos depois  o irmão de Albert Uderzo, Marcel Uderzo publicou essa história em livro ilustrado numa série de doze livros ilustrados para jovens leitores.

Provavelmente   para terem controle criativo sobre a obra  e também contou com a colaboração  do editor  Georges Dargaud(1911-1990) fundador da Dargaud, importante editora francesa de quadrinhos  como cofundador da empresa que teve uma vida curta.

 

 Isso porque o   Studio  Idéfix  encerrou suas operações em 1978, um ano após o falecimento de Goscinny em 05 de Novembro de 1977,  com 51 anos após sofrer um ataque cardíaco e nessa mesma data do fechamento da empresa lançaram o filme animado inspirado no herói Lucky Luck, criação da HQ  do belga Maurice de Bevere que assinava como Morris(1923-2001) que é A Balada dos Daltons(Lucky Luke: The Ballad of the Daltons, França, 1978) que foi um trabalho póstumo dirigido por Goscinny que faleceu faltando pouco para concluir a história.

Antes disso, houve a primeira adaptação animada de Astérix que foi Astérix, O Gaulês(Astérix, Le Gaulois, França, 1967) essa obra foi  dirigida pelo belga Ray Goossens(1924-2008) e foi inspirado na primeira HQ de Astérix publicada em 1961.

Em seguida veio Astérix e Cleópatra(Astérix et Cléopâtre, França, 1968), a segunda adaptação animada da HQ publicada em 1965, onde foi dirigido pelo próprio Goscinny e Uderzo e contou com  a codireção do americano  Lee Payant(1924-1976). Essas duas produções  contaram com a parceria da Dargaud e da Belvision.

Depois de Os Doze Trabalhos de Astérix, houve um longo hiato de 10 anos sem ter uma nova produção inspirado no famoso  herói gaulês até ser produzido um novo filme  animado de Astérix que foi Astérix e a Surpresa de César(Astérix et la Surprise de César – França, 1985).  Onde quem ficou encarregado da produção  foi a Dargaud junto com a Les Productions René Goscinny que contou com a direção dos irmãos Paul e Gäetan Brizzi.

Em seguida veio outras séries de filmes animados como: Astérix entre os Bretões(Astérix chez les Bretons, França, 1986),produção que contou com o dedo da importante companhia de cinema francesa Gaumont, fundada em 1895 pelo engenheiro Leon Gaumont(1864-1946) que teve o envolvimento de Pierre Tchenia como roteirista e foi dirigido pelo ítalo-canadense Pino van Lamsweerde(1940-2020).

Seguido de Astérix e a Grande Luta(Astérix et le coup du menhir, França, 1989) que contou com a direção de Philippe Grimmond e sem o envolvimento da mesma equipe criativa.

Na sequência vieram: Astérix Conquista a América(Astérix Conquers America, França, 1994) que contou com a direção do alemão Gerhard Hann, Astérix e os Vikings(Astérix et le Vikings, França, 2006) que contaram com a direção dos dinamarqueses Jesper Møller e Stefan Fjeldmark, Astérix e O Domínio dos Deuses(Astérix - Le Domaine des Dieux, França, Bélgica, 2014) com direção de Alexandre Astier e Louis Clichy que marca a primeira produção animada de Astérix a  usar a técnica em 3D e Astérix e o Segredo da Poção Mágica(Astérix: Le secret de la potion magique, França, 2018) que contou novamente com a direção de Astier e Clichy.

Isso sem contar a série de filmes live actions que começou a partir do final dos anos 1990 com Astérix e Obélix Contra César(Astérix & Obélix Contre Cesar, França,1999) dirigido por Claude Zidi e contou com Christian Clavier como Astérix, Gérard Depardieu como Obélix e o renomado cineasta italiano Roberto Benigni como o temido  imperador romano Júlio César.

Logo em seguida veio: Astérix e Obélix: Missão Cleópatra(Asterix & Obelix: Mission Cleopatra,França, 2002)  este  que contou com a direção de Alain Chabat que no filme também representou Júlio César, que além de contar novamente no elenco com Clavier e Depardieu repetindo os respectivos papeis de Astérix e Obélix, também contou  no elenco com a participação da  renomada atriz italiana  Monica Bellucci que representa bem em cena a mítica Rainha do Egito Cleópatra e amante de Júlio César  emprestando da  sua atraente beleza que também é baseado na mesma obra  que foi adaptada para a animação em 1968.

Na sequência tivemos:   Astérix nos Jogos Olímpicos(Astérix aux Jeux olympiques, França, 2008) filme que contou com a direção de Fréderic Forestier e Thomas Langmann, cujo elenco já não contou com Christian Clavier como Astérix, seu papel nesse filme  foi assumido por Clovis Cornilac e novamente contou com Gerard Depardieu na pele do Obélix.

Que também contou  no elenco com a participação de  Jean-Pierre Cassel(1932-2007), pai do ator Vincent Cassel que já foi casado com a atriz  Monica Bellucci a mesma que representou Cleópatra no filme anterior.

E  nesse filme fez o Druida Panoramix cuja participação marcou o seu papel póstumo e mencionar a participação do veterano e cultuado galã do cinema francês Alain Delon(1935-2024) que no filme representou Júlio César.  

Depois veio: Astérix e Obélix: Deus  Salve a  Britannia (Astérix & Obélix: Au Service de Sa Majesté, França, 2012) onde nesse ainda contou novamente com Gérard Depardieu representando o Obélix e já o Astérix foi trocado novamente por Edoard Baer, já o papel do sempre temido  Imperador Júlio César foi representado por Fabrice Luchini.

 E mencionar a participação da veterana musa francesa Catherine Deneuve muito lembrada pelo clássico filme da nouvelle vague  A Bela da Tarde(Belle de Jour, França, 1967) do diretor espanhol Luis Buñuel(1900-1983) que nesse filme representou  a Rainha Cordélia da Grã-Bretanha  e por fim tivemos o mais recente:    Astérix e Obélix: O Reino do MeioAstérix et Obélix: l'Empire du Milieu, França, 2023) que contou com a direção de Guilhaume Canet que também foi responsável por representar o Astérix, já que quem ficou encarregado do Obélix foi Gilles Lellouche, Vincent Cassel, o ex-marido de Monica Bellucci que fez Cleópatra em Astérix e Obélix: Missão Cleópatra (2002) e é filho de Jean-Pierre Cassel que fez o Druida Panoramix em Astérix e Obélix nos Jogos Olímpicos (2008) participou  do filme representando Júlio César e com Marion Cotillard representando Cleópatra.

Até o momento em que escrevo esse texto não há nenhuma notícia envolvendo alguma nova produção relacionada a marca Astérix, fosse em animação ou mesmo em live action.

A produção dessa animação de Os Doze Trabalhos de Astérix usou uma técnica que estava  sendo muito usada pela gigante Disney na época que é a xerografia.

A xerografia foi uma técnica que revolucionou a animação da Disney, permitindo que os desenhos dos artistas fossem transferidos diretamente para as células. O processo foi testado pela primeira vez em A Bela Adormecida(1959), mas foi usado em grande escala no curta-metragem Golias II e no filme 101 Dálmatas (1961). 

“A xerografia foi uma solução para o problema de transferir e tingir os desenhos dos animadores manualmente nas células de animação, um processo caro e demorado. A técnica permitiu que a Disney economizasse tempo e dinheiro, e também de controlar o tamanho dos personagens e dos objetos fotocopiados. 

O processo xerográfico foi adaptado por Ub Iwerks, o desenhista que criou o personagem Mickey Mouse. A técnica foi usada em praticamente todos os filmes de animação da Disney até A Pequena Sereia(1989), quando os computadores substituíram a necessidade de usar células.”

(Fonte: Texto retirado do Google).

Depois que Goscinny faleceu, Uderzo deu continuidade as criações de novas histórias do gaulês, em 1979 ele publicou Astérix entre os Belgas, que marcou o trabalho póstumo de Goscinny.

Em 1980, ele publica sua primeira história solo de Astérix que foi O Grande Fosso assumindo a dupla função de roteirista e ilustrador.

Uderzo deu continuidade as publicações de Astérix até  ele declarar sua aposentadoria em 2009, na época com 82 anos e já sentindo o peso do seu estado  de  saúde fragilizado. A última história que Uderzo havia publicado antes de declarar sua aposentadoria foi Astérix e o dia que o céu caiu pulicada em 2005.  

 Após declarar sua aposentadora Uderzo sofreu de uma artrite reumatoide na mão direita que o fez passar por uma cirurgia realizada em  2011.

Como se pode observar a sua saúde já se encontrava fragilizada nos últimos tempos e com o avançar da idade foi ficando cada vez mais comprometida até ele vir a    falecer  em  24 de Março de 2020 com 92 anos, também como consequência de um ataque cardíaco.

Um fato que chama aqui a atenção é que sua morte ocorreu bem no momento que havia sido decretado quarentena mundial por conta da pandemia do coronavírus, o que fez muita gente  remeter por mais estranho que se possa parecer a sua criação, isso porque existe uma publicação de Astérix intitulada de Astérix e a Transitálica publicada em 2017 mostrando  Astérix e seu parceiro Obélix participando de uma corrida onde nessa disputa  há um misterioso adversário mascarado com o nome de Coronavírus, e que por conta da coincidência do nome se criou um clima de provável profecia.

O que não passa de uma simples coincidência, mesmo porque nessa HQ em questão são de autorias de Jean-Yves Ferri como roteirista  e  Didier Conrad  como ilustrador que passaram a assumir a autoria das HQs de Astérix a partir de 2013, onde a primeira história criada por eles foi Astérix e os Pictos e Astérix e a Transitálica marca a terceira produção criada por essa dupla.

A vaga lembrança que eu carrego da primeira vez que eu tive contato  uma história de Astérix foi quando  li uns trechos de uma tira de Astérix contida no meu livro didático escolar na minha fase escolar  de Ensino Fundamental,  na antiga  6ª Série que hoje equivale ao 7ª Ano,  durante a disciplina de história abordando o Império Romano. Onde exemplificava bem  o assunto de uma forma bastante lúdica.

Das que eu pude ler, principalmente que comprei de um amigo  uns dez volumes publicado pela Record, posso descrever que as histórias são fascinantes e que funcionam bem redondinhas, fechadinhas, sem você tentar compreender as sequencias de continuidade da coesão narrativa deles.

Independente de qual você queira começar, cada uma funciona bem sem precisar compreender uma cronologia dos fatos que antecederam cada história. Elas funcionam bem isoladamente.

Seja como for, cada uma é válida.