Na
trágica manhã de terça-feira, 11 de setembro de 2001, o mundo inteiro
testemunhou a grande metrópole americana de Nova York sofrer um ataque
terrorista nas duas maiores torres que simbolizavam o poderio corporativista
que eram as Torres Gêmeas do World Trade Center.
Logo
depois que foi descoberto que quem foi o responsável pela autoria do atentado foi
de um grupo terrorista islâmico chamado de Al-Qaeda, comandado por Osama Bin
Laden(1957-2011) cujo QG era no Afeganistão.
O que muita gente talvez não imagina é que muito disso foi consequência do que anos antes, durante a década de 1980, quando o Afeganistão sofreu com a invasão das tropas russas ainda no contexto de Guerra Fria, os Estados Unidos tiveram uma participação como fortes aliados deles em fornecer armamentos para eles se defenderem contra os russos e Bin Laden esteve envolvido nesse momento como um colaborador dos agente americanos.
A
melhor maneira de compreenderem como se deu esse fato é indicando o filme Jogos do Poder(Charlie´s Wilson War,
EUA, 2007).
Essa
produção trata-se de um drama biográfico baseado na trajetória do congressista
Charles Wilson(Tom Hanks) que nos anos 1980
foi o grande articulador nos bastidores de convencer o Congresso
Americano a fornecer armas aos afegãos para se protegerem contra os russos que
há anos haviam invadido o país e deixaram rastros de destruição sobre ele.
Ele
logicamente não conseguirá isso sozinho, terá como colaboradores as figuras da
socialite Joanne Herrring(Julia Roberts) que vai ser responsável por marcar um
encontro dele com o presidente Muhammad Zia-ul-Haq(Om Puri) do Paquistão.
E
depois desse encontro com o agente da CIA Gust Avakrotos(Philip Seymour
Hoffman), onde ele vai se articulando com um comerciante de armas em Israel e
com um representante do governo egípcio para fornecerem armas para defenderem o
povo afegão, onde teremos finalmente a vitória dos afegãos e a derrota dos
russos, e com Charles Wilson sendo condecorado pela CIA.
O
filme que foi baseado no livro A Guerra
de Charlie Wilson: A história extraordinária da maior operação secreta da
história, publicado em 2003 por George Crile III, cujo roteiro foi adaptado
por Aaron Sorkin e contou com a direção de Mike Nichols(1931-2014), cineasta de
longa carreira em Hollywood desde os anos 1960, e esse filme marcou o último de
sua carreira.
A
maneira como a trama foi estruturada onde sua narrativa explorou muito essa
visão de guerra santa, tanto pela parte dos afegãos quanto pelos americanos
usando do discurso bíblico cristão para fornecer armas para os afegãos se
defenderem.
Mostrou
bem como funciona os bastidores do congresso americano e suas articulações para
aprovar um projeto.
E
de como que o americano tem uma forte tendência a ser o salvador branco como é
o caso em que o Charles Wilson(1933-2010) com relação aos afegãos, se bem que
também que mostra que ele não era nada santinho.
O
filme contou em seu elenco com Tom Hanks que mostra um brilhante desempenho na
pele do Charles Wilson transitando entre um sujeito debochado, principalmente
quando se aventura numa esbornia como é mostrado no início dele curtindo uma
vida de playboy numa banheira de hidromassagem acompanhado de umas strippers e
quando mostra sua seriedade em se tratando de proteger vidas humanas e mostrar
o seu caráter heroico.
Também
contou com Julia Roberts na pele da Joanne Herring, uma socialite amiga de
Wilson que é famosa por suas caridades e por seu devotismo cristão, ela aqui
assume bem a função dentro da narrativa de servir como uma ponte para o
deputado Wilson chegar ao presidente paquistanês Zia, o saudoso Phillip Seymour
Hoffman(1967-2014) na pele do Gust Avrakrotos(1938-2005) um colaborador de Wilson,
mostrando um ótimo desempenho no seu perfil de pavio curto.
Assim
como mencionar as participações de Amy Adams na pele da Bonnie que é uma das
assistentes do gabinete do deputado Wilson, onde ela se destaca por viver o
acompanhando, principalmente nas suas viagens a trabalho.
Outras
menções vai para: Emilly Blunt na pele
da Jane, a filha de um cara com quem Wilson recebe em seu gabinete e com quem
logo ele tem um caso, o veterano Ned Beatty (1937-2021) mostra uma defesa
brilhante desempenho do deputado Clarence “Doc” Long(1908-1994), ele “ocupava
o posto de presidente da
subcomissão de Operações Estrangeiras do Comitê de Orçamento da
Câmara dos Representantes dos EUA. Basicamente, ele era o homem que controlava
as chaves do cofre para o financiamento de ajuda internacional e operações
externas.”
(Informação
fornecida pelo texto do Google)
Dentro
do enredo de Jogos do Poder,
o protagonista Wilson precisava urgentemente aumentar a verba secreta da CIA
para enviar armas aos guerrilheiros mujahidin
que combatiam a invasão soviética no Afeganistão.
E
ele é convencido a ir ao local de refugiados de afegãos onde se utiliza do
forte cunho religioso de Deus contra o Diabo para simbolizar o ideal do
salvador branco imposta pelo americano ao mundo. Ao mesmo tempo que ele ilustra
bem não se importar com os problemas do país como numa cena onde mostra ele
saindo do seu gabinete ao lado de Wilson e lá estava presente a população
indígena nativa que originou a América antes dos brancos e foram dizimados
pelos colonos em nome do poder da religião, e ele os ignora completamente,
representando bem o lado podre da vista grossa e hipócrita dos congressistas americanos para a sua
população local.
Outra
presença saudosa no filme é do indiano Om Puri(1950-2017), que no filme mostra
um excelente desempenho do presidente paquistanês Zia(1924-1988), um importante
aliado de Wilson, tem uma cena dele convidado para um evento beneficente
promovido por Joanne, onde ela ao apresenta-lo ao público comenta mencionando que Zia não matou Butho, uma
referência ao seu antecessor o Primeiro-Ministro Zulfikar Ali Butho*(1928-1979) de quem ele
tirou do poder em 1977 e dois anos depois ele foi executado por enforcamento sob
as ordens diretas do regime em abril de
1979, o que o deixou com uma cara de
desgosto como foi mostrada no filme ilustra bem como o cara não era lá muito
flor que se cheirasse.
Assim
como as participações de Brian Markinson como Paul Brown, Judy Tylor na pele de
Chrystal Lee, Hilary Angelo como Kelly e Cyia Batten como Stacey que aparecem
na cena onde dividem uma hidromassagem com Wilson que é o ponto de partida onde
ele começa a ter contato com o Afeganistão por meio do noticiário do televisor
dentro do estabelecimento.
Uma
cena que “baseia-se livremente em uma
investigação real que o deputado enfrentou após um encontro em Las Vegas em
1980, onde ele foi acusado de usar cocaína. No entanto, os nomes e as figuras
das mulheres que estavam com ele naquela noite foram amplamente alterados ou
sintetizados no roteiro cinematográfico para fins dramáticos e jurídicos.”
(Informação
gerada pelo Google).
O
que mostra bem como apesar de se tratar de um drama real, a trama também se
utilizou de licença poéticas.
Assim
como não posso deixar de mencionar que sua estética soube bem como reproduzir a
atmosfera dos anos 1980, ultimamente tão na moda nas trends das redes sociais feita
com inteligência artificial, principalmente focado no vestir formal de Wilson e
Ghust engomadinho que remete bem a estética dos
jovens executivos yuppies, do mesmo modo que o design de produção trabalhou bem
a estética retro kitsch na mansão da Joanne, por exemplo.
Numa
época que eu tive um DVD desse filme, nele chegou a mostrar no making off, o
registro do depoimento do Charles Wilson real enquanto estava vivo, ele faleceu
em 10 de fevereiro de 2010, vítima de uma parada cardiorrespiratória.
A
maneira como o filme concluiu mostrando a vitória dos afegãos contra os russos
no final dos anos 1980 com as armas fornecidas, que como se não se bastasse
essa humilhação ainda foram vendo seu longo império socialista chegar as ruinas
com a Queda do Muro de Berlim em 1989 e a Dissolução da União Soviética em
1991.
Ele
também marcou o ponto de partida para o que viria mais para frente,
principalmente depois que em Agosto de 1990 quando as tropas de um país do
Oriente Médio chamado Iraque, comandado pelo tirânico Saddam Hussein(1937-2006),
mandou invadir o Kwait por conta do petróleo e os americanos foram bombardear
no ficou como conhecido como Guerra do Golfo em referência a localização
geográfica do Iraque ser no Golfo
Pérsico até quando chegou ao fim em
fevereiro de 1991, é nesse momento que Bin Laden que então havia colaborado com
os americanos passa ser seu inimigo ao ver as tropas dos EUA instalarem suas na bases nesse conflito em seu país natal: a Arábia Saudita que se torna
aliada dos americanos nesse conflito.
E
ele passa a se utilizar de toda a experiência do treinamento militar que
aprendeu com os americanos e das armas para formar o temido grupo terrorista da
Al-Qaeda que foi responsável pelo atentado em Nova York.
Pode-se
concluir que a ideia do 11 de setembro de 2001, não foi uma casualidade, nem
foi impulsivo, já vinha sendo planejado por alguém que um dia já foi aliado dos
americanos.
*Anos
depois, a filha de Butho que virou Primeira-Ministra do Paquistão Benazir
Butho(1953-2007) teve um fim trágico assim como o pai. Benazir Butho foi morta
no dia 27 de dezembro de 2007, durante um atentado suicida em Rawalpindi,
cidade próxima a Islamabad, quando retornava de um comício no Parque Liaquat. O
ataque ocorreu enquanto o carro da ex-primeira-ministra trafegava, seguido por
simpatizantes, e Benazir acenava para a multidão, pelo teto solar do veículo. Bhutto
foi alvejada no pescoço e no peito, possivelmente por um homem bomba que, em
seguida, se explodiu próximo ao veículo, provocando a morte de cerca de 20
pessoas. Um dirigente da Al-Qaeda no Afeganistão reivindicou a responsabilidade
pelo ato.









