quarta-feira, 9 de setembro de 2026

OS ANTECEDENTES DO 11 DE SETEMBRO DE 2001 EM JOGOS DO PODER.

 

Na trágica manhã de terça-feira, 11 de setembro de 2001, o mundo inteiro testemunhou a grande metrópole americana de Nova York sofrer um ataque terrorista nas duas maiores torres que simbolizavam o poderio corporativista que eram as Torres Gêmeas do World Trade Center.



Logo depois que foi descoberto que quem foi o responsável pela autoria do atentado foi de um grupo terrorista islâmico chamado de Al-Qaeda, comandado por Osama Bin Laden(1957-2011) cujo QG era no Afeganistão.




Nisso resultou como gente deve tá careca de saber, na invasão ao Afeganistão para tentar capturar Bin Laden, algo que levou anos para eles conseguirem capturarem até resultar na invasão do seu condomínio no Paquistão e o eliminarem em 2 de maio de 2011 quase 10 anos após o Atentado.



O que muita gente talvez não imagina é que muito disso foi consequência do que anos antes, durante a década de 1980, quando o Afeganistão sofreu com a invasão das tropas russas ainda no contexto de Guerra Fria, os Estados Unidos tiveram uma participação como fortes aliados deles em fornecer armamentos para eles se defenderem contra os russos e Bin Laden esteve envolvido nesse momento como um colaborador dos agente americanos.

A melhor maneira de compreenderem como se deu esse fato é indicando o filme Jogos do Poder(Charlie´s Wilson War, EUA, 2007).





Essa produção trata-se de um drama biográfico baseado na trajetória do congressista Charles Wilson(Tom Hanks) que nos anos 1980  foi o grande articulador nos bastidores de convencer o Congresso Americano a fornecer armas aos afegãos para se protegerem contra os russos que há anos haviam invadido o país e deixaram rastros de destruição  sobre ele.

Ele logicamente não conseguirá isso sozinho, terá como colaboradores as figuras da socialite Joanne Herrring(Julia Roberts) que vai ser responsável por marcar um encontro dele com o presidente Muhammad Zia-ul-Haq(Om Puri) do Paquistão.





E depois desse encontro com o agente da CIA Gust Avakrotos(Philip Seymour Hoffman), onde ele vai se articulando com um comerciante de armas em Israel e com um representante do governo egípcio para fornecerem armas para defenderem o povo afegão, onde teremos finalmente a vitória dos afegãos e a derrota dos russos, e com Charles Wilson sendo condecorado pela CIA.

O filme que foi baseado no livro A Guerra de Charlie Wilson: A história extraordinária da maior operação secreta da história, publicado em 2003 por George Crile III, cujo roteiro foi adaptado por Aaron Sorkin e contou com a direção de Mike Nichols(1931-2014), cineasta de longa carreira em Hollywood desde os anos 1960, e esse filme marcou o último de sua carreira.





A maneira como a trama foi estruturada onde sua narrativa explorou muito essa visão de guerra santa, tanto pela parte dos afegãos quanto pelos americanos usando do discurso bíblico cristão para fornecer armas para os afegãos se defenderem.

Mostrou bem como funciona os bastidores do congresso americano e suas articulações para aprovar um projeto.

E de como que o americano tem uma forte tendência a ser o salvador branco como é o caso em que o Charles Wilson(1933-2010) com relação aos afegãos, se bem que também que mostra que ele não era nada santinho.



O filme contou em seu elenco com Tom Hanks que mostra um brilhante desempenho na pele do Charles Wilson transitando entre um sujeito debochado, principalmente quando se aventura numa esbornia como é mostrado no início dele curtindo uma vida de playboy numa banheira de hidromassagem acompanhado de umas strippers e quando mostra sua seriedade em se tratando de proteger vidas humanas e mostrar o seu caráter heroico.

Também contou com Julia Roberts na pele da Joanne Herring, uma socialite amiga de Wilson que é famosa por suas caridades e por seu devotismo cristão, ela aqui assume bem a função dentro da narrativa de servir como uma ponte para o deputado Wilson chegar ao presidente paquistanês Zia, o saudoso Phillip Seymour Hoffman(1967-2014) na pele do Gust Avrakrotos(1938-2005) um colaborador de Wilson, mostrando um ótimo desempenho no seu perfil de pavio curto.   

Assim como mencionar as participações de Amy Adams na pele da Bonnie que é uma das assistentes do gabinete do deputado Wilson, onde ela se destaca por viver o acompanhando, principalmente nas suas viagens a trabalho.

Outras menções vai para:  Emilly Blunt na pele da Jane, a filha de um cara com quem Wilson recebe em seu gabinete e com quem logo ele tem um caso, o veterano Ned Beatty (1937-2021) mostra uma defesa brilhante desempenho do deputado Clarence “Doc” Long(1908-1994), ele  ocupava o posto de presidente da subcomissão de Operações Estrangeiras do Comitê de Orçamento da Câmara dos Representantes dos EUA. Basicamente, ele era o homem que controlava as chaves do cofre para o financiamento de ajuda internacional e operações externas.”

(Informação fornecida pelo texto do Google)

Dentro do enredo de Jogos do Poder, o protagonista Wilson precisava urgentemente aumentar a verba secreta da CIA para enviar armas aos guerrilheiros mujahidin que combatiam a invasão soviética no Afeganistão.

E ele é convencido a ir ao local de refugiados de afegãos onde se utiliza do forte cunho religioso de Deus contra o Diabo para simbolizar o ideal do salvador branco imposta pelo americano ao mundo. Ao mesmo tempo que ele ilustra bem não se importar com os problemas do país como numa cena onde mostra ele saindo do seu gabinete ao lado de Wilson e lá estava presente a população indígena nativa que originou a América antes dos brancos e foram dizimados pelos colonos em nome do poder da religião, e ele os ignora completamente, representando bem o lado podre da vista grossa e hipócrita   dos congressistas americanos para a sua população local.

Outra presença saudosa no filme é do indiano Om Puri(1950-2017), que no filme mostra um excelente desempenho do presidente paquistanês Zia(1924-1988), um importante aliado de Wilson, tem uma cena dele convidado para um evento beneficente promovido por Joanne, onde ela ao apresenta-lo ao público comenta  mencionando que Zia não matou Butho, uma referência ao seu antecessor o Primeiro-Ministro  Zulfikar Ali Butho*(1928-1979) de quem ele tirou do poder em 1977 e dois anos depois ele foi executado por enforcamento sob as ordens diretas do regime  em abril de 1979, o que o  deixou com uma cara de desgosto como foi mostrada no filme ilustra bem como o cara não era lá muito flor que se cheirasse.

Assim como as participações de Brian Markinson como Paul Brown, Judy Tylor na pele de Chrystal Lee, Hilary Angelo como Kelly e Cyia Batten como Stacey que aparecem na cena onde dividem uma hidromassagem com Wilson que é o ponto de partida onde ele começa a ter contato com o Afeganistão por meio do noticiário do televisor dentro do estabelecimento.

Uma cena que “baseia-se livremente em uma investigação real que o deputado enfrentou após um encontro em Las Vegas em 1980, onde ele foi acusado de usar cocaína. No entanto, os nomes e as figuras das mulheres que estavam com ele naquela noite foram amplamente alterados ou sintetizados no roteiro cinematográfico para fins dramáticos e jurídicos.”

(Informação gerada pelo Google).

O que mostra bem como apesar de se tratar de um drama real, a trama também se utilizou de licença poéticas.

Assim como não posso deixar de mencionar que sua estética soube bem como reproduzir a atmosfera dos anos 1980, ultimamente tão na moda nas trends das redes sociais feita com inteligência artificial, principalmente focado no vestir formal de Wilson e Ghust   engomadinho que remete bem a estética dos jovens executivos yuppies, do mesmo modo que o design de produção trabalhou bem a estética   retro kitsch na mansão da Joanne, por exemplo.

Numa época que eu tive um DVD desse filme, nele chegou a mostrar no making off, o registro do depoimento do Charles Wilson real enquanto estava vivo, ele faleceu em 10 de fevereiro de 2010, vítima de uma parada cardiorrespiratória.

A maneira como o filme concluiu mostrando a vitória dos afegãos contra os russos no final dos anos 1980 com as armas fornecidas, que como se não se bastasse essa humilhação ainda foram vendo seu longo império socialista chegar as ruinas com a Queda do Muro de Berlim em 1989 e a Dissolução da União Soviética em 1991.

Ele também marcou o ponto de partida para o que viria mais para frente, principalmente depois que em Agosto de 1990 quando as tropas de um país do Oriente Médio chamado Iraque, comandado pelo tirânico Saddam Hussein(1937-2006), mandou invadir o Kwait por conta do petróleo e os americanos foram bombardear no ficou como conhecido como Guerra do Golfo em referência a localização geográfica do Iraque  ser no Golfo Pérsico até quando  chegou ao fim em fevereiro de 1991, é nesse momento que Bin Laden que então havia colaborado com os americanos passa ser seu inimigo ao ver as tropas dos EUA instalarem  suas na bases nesse conflito  em   seu país natal: a Arábia Saudita que se torna aliada dos americanos nesse conflito.

E ele passa a se utilizar de toda a experiência do treinamento militar que aprendeu com os americanos e das armas para formar o temido grupo terrorista da Al-Qaeda que foi responsável pelo atentado em Nova York.

Pode-se concluir que a ideia do 11 de setembro de 2001, não foi uma casualidade, nem foi impulsivo, já vinha sendo planejado por alguém que um dia já foi aliado dos americanos.

 

*Anos depois, a filha de Butho que virou Primeira-Ministra do Paquistão Benazir Butho(1953-2007) teve um fim trágico assim como o pai. Benazir Butho foi morta no dia 27 de dezembro de 2007, durante um atentado suicida em Rawalpindi, cidade próxima a Islamabad, quando retornava de um comício no Parque Liaquat. O ataque ocorreu enquanto o carro da ex-primeira-ministra trafegava, seguido por simpatizantes, e Benazir acenava para a multidão, pelo teto solar do veículo.   Bhutto foi alvejada no pescoço e no peito, possivelmente por um homem bomba que, em seguida, se explodiu próximo ao veículo, provocando a morte de cerca de 20 pessoas. Um dirigente da Al-Qaeda no Afeganistão reivindicou a responsabilidade pelo ato.