segunda-feira, 12 de outubro de 2026

O ANIME DE STREET FIGHTER

                 O meu primeiro contato com Street Figther foi assistindo ao anime que o SBT passava nas manhãs de sábado antes de saber da existência dessa franquia de jogos da Capcom.




Esse anime foi concebido pouco tempo depois de fazerem uma versão live action constrangedora estrelada pelo astro da ação Jean-Claude VanDame.




A produção desse anime carrega uma história curiosa, principalmente no que diz respeito a maneira como ele foi distribuído aqui no Brasil, que veio como alternativa a outra versão animada de Street Fighter que era a versão que o SBT estava de olho, mas que devido a algumas dificuldades burocráticas acabou que esse anime foi chegando primeiro e ao mesmo tempo que estava em produção no Japão. É meio confuso, mas vou tentar explicar qual foi o motivo e analisar o contexto.

Começo com o seguinte questionamento: Quem nunca se perguntou por quê o título era Street Fighter II se não  tivemos conhecimento de uma temporada que antecede a essa história?




A explicação é:  Porquê o anime foi inspirado no jogo da Capcom intitulado de Street Fighter II: The World Warrior(Japão, 1991) que trata-se de uma sequência do primeiro jogo  surgido em 1987 criado por Hiroshi Matsumoto, Takashi Nishiyama e Yoshiki Okamoto.

Nesse anime cujo roteiro é creditado a seis roteiristas formados por: Takashi Nishiyama, Mary Claypool, Masumi Hiranagi, Nayouki Sakai, Sô Toyama e Kenya Sawada e teve a direção de Takuya Satô e Gisaburô Sugii.

Esse mesmo que havia dirigido um ano antes o desenho animado intitulado de Street Fighter II-The Movie(Japão, 1994) produzida pela mesma produtora Group TAC e também contou com a participação de alguns dos roteiristas que trabalharam na equipe criativa da série animada lançada no ano seguinte.




Esse filme animado que originou a série animada que também é referenciada como Street Fighter II: Victory(Japão, 1995) sei que é confuso esse monte de informação, mas vamos lá, foi  lançado na mesma data do live action estrelado por VanDame que foi Street Fighter-A Última Batalha(Street Fighter, Japão, EUA, 1994).




E se essas informações já não iriam explodir sua cabeça e deixa-la bugada, o negócio vai fica ainda mais bizarro e louco é que na mesma data que no Japão foi produzido essa série de animes de SF, também foi produzida nos Estados Unidos uma série animada da marca de videogames da Capcom SF que foi produzida entre 1995 a 1997 que contou entre seus roteiristas com os criadores do jogo entre os roteiristas americanos e foi uma coprodução da Cartoon Express e Action Extreme Team da USA Network.




E era essa versão animada que o Senhor Silvio Santos(1930-2024), dono do  SBT estava de olho a trazer para sua grade, ocorre que por um deslize de distribuição acabou vindo a versão japonesa de Street Fighter que também estava em produção no Japão como informado do site Dublapédia sobre Street Fighter:

“A série foi licenciada pela Columbia Tristar (atual Sony Television) a partir de 1995 por engano. Inicialmente, o SBT compraria a animação ocidental, que teve problemas de produção. Com a indisponibilidade da produção em ser lançada, a Columbia renegociou com a emissora e trouxe o então recente anime japonês Street Fighter II Victory, que havia acabado de ser exibido no Japão ainda em 1995.”

Resultando então na vinda acidental da série animada japonesa de SF e a versão americana originalmente chamada de Street Fighter-The Animated Series que chegou no Brasil posteriormente pelo SBT ganhou o título para se diferenciar do anime de Street Fighter Game.




Quando eu lembro de Street Fighter, costumo me remeter a versão desse anime que o SBT costumava passar nas manhãs de sábado que foi minha primeira introdução a esse universo do jogo que cheguei a locar os cartuchos para jogar algumas vezes em meu antigo aparelho de SuperNintendo.




Que tinha uma história até que envolvente e bem construída sobre a jornada heroica de Ryu e Ken até se depararem com Bison algo que não posso dizer o mesmo com relação a versão cinematográfica horrível estrelada por VanDame como Guile.




Eu não vi na época que foi lançado na tela grande, a adaptação em live action que contou com a direção de Steven E. DeSouza que já era um renomado diretor dos filmes de ação e é quem assina o roteiro, só cheguei a assisti quando justamente o SBT o exibiu a primeira vez depois que eu já estava mais familiarizado com o universo de SF devido ao anime que a emissora passava.




Contou no seu elenco além do já mencionado VanDame, o famoso ator belga expert em artes marciais e na ocasião em que estrelou o filme já era mundialmente famoso pelos filmes de ação que estrelou tornando o nome mais rentável de Hollywood entre o final dos anos 1980 e começo dos anos 1990, na obra representando   o Coronel Guile.




Também contou com as participações da ilustre estrela da música pop teen de sucesso na época, a australiana Kyle Minogue representando a Cammy.

 E de Raúl Juliá(1940-1994), o ator porto-riquenho naturalizado americano que havia feito o Gomez Adams nos dois filmes de A Família Adams(1991-1993) que nesse filme fez   seu trabalho póstumo* representando o Bison.



Trata-se de um filme com uma história ruim, toda sem sentido, onde os personagens famosos do jogo são todos jogados do nada no enredo.

 Muito disso resultado do seu roteiro Frankenstein que teve muitas alterações, fora que VanDame nas gravações vivia dando muita dor de cabeça com a produção em querer mudar alguma cena.

Recentemente quando eu revisitei essa obra na Netflix constatei como ela envelheceu muito mal, mesmo VanDame sozinho não consegue sustentar a história que apresenta diálogos medíocres, que beiram a breguice de tão risivelmente desconfortáveis. Ainda mais envolvendo o destaque que eles dão muito para o Guile comandando um exército para combater Bison em Shaddaloo, onde ele reinava como um ditador. Guile apresenta muito um tropo narrativo de salvador branco.  Kyle Minogue mostra um desempenho mediano de atriz como Cammy que é muito subutilizada como uma assistente de Guile.

Raul Juliá até que consegue segurar bem as pontas na pele do Bison ao desempenhar sua essência egocêntrica e psicótica com seus planos mirabolantes e megalomaníacos de transformar Shaddaloo em seu paraíso pessoal, mesmo que seu desempenho se mostra um tanto sofrível pelo roteiro horrível.

 Fora o desperdício como eles trabalharam a subtrama da Chun-Lin que no filme foi vivida pela sino-americana Ming Na-When, transformaram Ken vivido por Damian Chapa e Ryu vivido pelo sino-americano Byron Mann em secundários, sendo que no jogo eles são os principais, dentre a vergonha alheia de atuações constrangedoras.




O que pelo menos, isso difere com relação a esse anime que foi derivado de um filme animado lançado um ano antes. Ele contou com apenas 29 episódios, é meio estranho, pois tínhamos a sensação de que fosse longa, talvez pelo SBT viver reprisando tenha criado essa sensação e a razão para sua pouco duração e ter encerrado numa única temporada tem uma explicação.   É porquê a animação foi considerado um fracasso no Japão, dentre os principais motivos para isso foram:

Baixa Retenção de Público: A audiência japonesa declinou acentuadamente nos episódios finais da série.

     Retorno Financeiro Fraco: O lucro esperado com a venda de produtos licenciados e merchandising ficou muito abaixo das expectativas da Capcom.

      Diferenças Drásticas com o Jogo: O enredo apresentou uma reinterpretação muito livre, com Ryu e Ken mais jovens, alterando idades, personalidades e a cronologia oficial dos jogos.

       Ausência de Personagens Clássicos: Vários lutadores marcantes dos fliperamas (como Blanka, E. Honda e Dhalsim) ficaram de fora ou tiveram pouca relevância, frustrando parte dos fãs japoneses.

          Enredo Acelerado: Devido ao corte de investimento e encerramento antecipado, a reta final da história precisou ser corrida, atropelando o desenvolvimento dos poderes dos protagonistas.

             O que foi diferente aqui no Brasil, que fez um grande sucesso e até hoje é lembrado e cuja principal razão para seu sucesso se deve ao fato de que a dublagem brasileira que passou por dois estúdios paulistas que foi a Megassom(1993-1995) que se encarregou de dublar os episódios 1 ao 12 e a Mastersound(1990-2009) que dublou dos episódios 13 ao 29.




          Em ambas foram mantidas a direção de Nelson Machado, que para quem acompanhou Chaves, deve conhece-lo pela voz do Quico(Carlos Villagrán). Que também fazia algumas locuções em Street Fighter,  e também foi quem compôs a  adaptação da música de abertura baseada na versão original de Yuki Kuroda e que na versão brasileira foi cantada pela dubladora Elisa Villon.   Com base no que ele já compartilhou numa entrevista em vídeos sobre sua experiência na direção de dublagem dessa obra e sobre seus bastidores:

“Contou que recebeu uma carta de recomendações adaptativas, mas que por pesquisa própria, já que o jogo fazia muito sucesso nos fliperamas de todo o país na época, ele decidiu não seguir integralmente. Uma das recomendações era que se chamasse o termo "Hadouken" de "Fire Ball", o que obviamente não aconteceu, entre outras.”

(Dublapédia).

Numa época ainda analógica, onde os únicos meios de informação mais acessíveis de colher era por meio da tradicional mídia impressa, como a Revista Herói que surgiu na onda de Cavaleiros do Zodíaco. Essa sua atitude se mostrou uma boa sacada genial, ainda mais em se tratando de quando o dublador Sérgio Moreno que fez a voz do Ken Masters ao incluir um bordão no personagem do “Ih, ó o cara aí!”, nos momentos mais descontraídos de Ken inspirado nas gírias e expressões cariocas que o grupo humorístico Casseta & Planeta costumava falar. O que digamos, se mostrou acertado pela forma como ele conseguiu imprimir um toque mais jovial e um tanto encrenqueiro ao personagem.




Dublagem que contou além do já mencionado Sérgio Moreno, em seu elenco de feras também contou com: Orlando Viggiani dublando o Ryu, Tania Gaidarj dublando a Chun-Li, Guilherme Lopes dublando o Guile, com alguns falecidos como: Denise Simonetto(1955-2025) dublando a Cammy White, Válter Santos(1946-2013) como a primeira voz do Inspetor Dubao, pai da Chun-Li, Daioz Cabezudo(1946-2006) como Dhalsim, Jonas Mello(1937-2020) como a voz do Zangieff e Antônio Moreno(1946-2022) como a voz do Mr. Bison.



    Faz poucos anos quando eu pude revisitar a obra quando esteve disponível na Netflix e pude constatar sem me deixar levar pelo fator nostalgia como a obra em algumas partes envelheceu bem e em outras partes envelheceu mal.

       Ela envelheceu bem na maneira como soube trabalhar e desenvolver a jornada heroica de Ken e Ryu ao fazerem suas viagens pelo mundo e em como eles treinaram para desenvolver o Haddoken, souberam trazer elementos policialescos com temáticas pesadas envolvendo tráfico de drogas, espionagem internacional e muitas características filosóficas das artes marciais com aqueles toques místicos.

        E também envelheceu bem ao trabalhar as técnicas de animação mais fluidas nas movimentações dinâmicas dos personagens dentre outros.

      Todas essas virtudes a tornam perfeita, olha, nem tanto. Porquê um  dos pontos que posso destacar que envelheceu um tanto mal na obra é a forma como Bison foi mal desenvolvido como vilão, ele é muito raso na sua motivação mirabolante, é mal porque é mal.

      Fora que outro ponto que envelheceu um tanto mal na obra foi a maneira como eles introduziram o lutador mascarado e com uma garra tripla lembrando o Wolverine que é o Vega com os protagonistas é durante uma viagem deles a Espanha o conhecem com ele participando de uma tourada. Ainda que aquilo simbolizasse um aspecto cultural local, mas simbolizava uma agressão ao animal. E como se não fosse pesado o bastante observar o Vega usando suas garras afiadas para perfurar suas garras num touro, há uma cena que mostra um touro enfurecido após a apresentação, Ken inventa de dá um golpe com uma mão para decepar o chifre dele que parece que foi replicado de uma cena de Seyia de Pégasus na sua luta contra o Cavaleiro de Ouro Aldebaran de Touro em Cavaleiro do Zodíaco.

       O teor gráfico da violência de nível sangrento a tornava pesada demais. Com certeza, essa cena seria impensável de ser replicada nos dias de hoje, por conta da pressão das entidades ambientais e protetoras dos animais.

 

 

 

A POLÊMICA DUBLAGEM E A CENA NUDEZ DE CHUN-LI NO FILME ANIMADO DE 1994.

Com o sucesso que a série conquistou aqui no Brasil, isso despertou o interesse pela distribuição do filme que veio antes da série animada.

Ele carrega uma curiosa história quanto aos bastidores de sua polêmica dublagem, que não foi produzida em nenhum estúdio brasileiro, mas, por mais estranho que possa parecer o que vou escrever foi num estúdio dos Estados Unidos, mais especificamente em Los Angeles, famosa Meca do cinema, o que resultou em fortes críticas negativas.

Principalmente pelo fato dela ter sido produzida em cima da versão americana que possui algumas diferenças no corte e alterações drásticas de trilha musical e efeitos, que o diferenciava do áudio original japonês.

Detalhe, isso ocorreu quando o longa animado foi exibido na tela grande. Já quando passou a ser distribuído para home vídeo e disponível para exibições na televisão, ele foi dublado no estúdio paulista da MasterSound onde grande parte dos personagens fixos foram mantidas suas vozes, as únicas modificações foi que no lugar da Tania Gaidardj que dublou a Chun-Li na série animada, nesse longa animado quem a dublou foi Fátima Noya, assim como Alessandra Araújo foi quem se encarregou de dublar a Cammy no lugar da Denise Simonetto.




E o mais doido é que o finado Jonas Mello que na série animada dublou Zangieff, foi quem se encarregou de dublar o Bison no lugar do também finado Antônio Moreno que o dublava na série animada.

Curiosamente o Zangieff desse filme é o único personagem que não tem creditado o nome do dublador preenchido no quadro do elenco de dublagem do site do Duplapédia.

É também segundo a Dublapédia, consta que o Blanka  nesse filme foi dublado por Nelson Machado, que também assume a direção de dublagem.

Sobre essa dublagem obscura dublagem de Street Fighter feita em Los Angeles, as informações são muito vagas, principalmente por ela figurar como uma mídia perdida completamente difícil de ser encontrada.

As poucas informações encontradas informações que o site do Duplapédia, a enciclopédia da dublagem brasileira consta a respeito da dublagem brasileira-americana do filme animado de SF, são sobre a menção dos poucos nomes dos dubladores que integraram o elenco dessa dublagem, mencionam os nomes de cinco dubladores no canto das vozes adicionais.

Dentre esses há a menção do finado Bira Castro(1953-2016), que para quem acompanhou o antigo canal pago infantil da Fox Kids(1996-2004)** deve lembrar bem da voz dele como o divertido locutor da irreverente grade de programação da emissora.  Que é o único que aparece creditado  em três personagens: Ken Masters, Bison e Fei Long.




E também há a menção de Carlos Tureta integrando o elenco dessa dublagem meio brasileira, meio americana do filme animado de SF.  Assim como a exemplo de Bira Castro, sua voz é muito lembrada por quem acompanhou outro canal pago infantil que é a Cartoon Network onde até hoje trabalha como locutor. O seu nome não aparece creditado a nenhum personagem, apenas entre as vozes adicionais.




Agora se teve um momento memorável dessa animação que muito marmanjo que era moleque quando viram o filme costumam mencionar é a cena de nudez da Chun-Li tomando uma chuveirada e aparecendo peladona.




Uma cena que não foi feita de forma tão gratuita, só para criar um clima ardente, todos os enquadramentos mostram bem dentro do sentido narrativo, ainda mais que ela sem perceber estava sendo vigiada  pelo Vega que só aparece para combater ela  depois que sai do banho e estava vestida e começa a lutar com ele.

Soube que na mais recente versão live action que está para estrear nas telonas agora no dia 15 de outubro, vão replicar essa cena da Chun-Li desse desenho com a personagem vivida pela canadense Callina Liang.

Só por isso mesmo, já me despertou a curiosidade.

 

 

*Raúl Juliá no momento em que participou das filmagens de Street Fighter ele já estava enfrentando um problema de saúde com um câncer no estômago o que o deixava debilitado, mesmo assim ele aceitou continuar filmando por causa dos seus filhos que eram fãs dos jogos de Street Fighter em homenagem a eles. Raúl Juliá morreu em 20 de outubro de 1994,  dois meses antes do lançamento de Street Figther nos cinemas americanos que ocorreu em 23 de dezembro de 1994. Portanto, marcou uma obra póstuma do ator que também deixou outros dois trabalhos póstumos lançados para televisão.   Além de Raúl Juliá, outro ator que participou do filme de Street Fighter dos anos 1990 que até o momento dessa publicação é o único que faleceu anos após o lançamento da produção é Peter Navy Tuaiasosopo(1963-2025) que representou o Honda em Street Fighter. Ele tinha 61 anos quando faleceu em fevereiro de 2025 de complicações cardíacas. Foi fazer companhia a Raúl Júlia no plano espiritual.

**As datas informadas pelo autor sobre o período de operações da marca Fox Kids, ou seja, entre 1996 a 2004 é somente com base em território nacional. Mesmo porquê foi apenas em território nacional que essa marca operou como um canal de tv por assinatura como conhecemos. Quando ele surgiu nos Estados Unidos em 1990, foi como um bloco de animações da Fox Broadcasting Company  e que encerrou suas atividades em 2002. Nunca virou uma emissora paga propriamente dita em solo americano. Logo após a compra da Disney, o canal mudou de nome para Jetix que durou até 2009 mudando para Disney XD que encerrou suas operações em 2022

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